Cachaça, Copa e Olimpíadas

Por Renato Figueiredo

camisa-futebol-brasil-flickr-user-Felipe_Borges-medPara alguns parece óbvio, para outros nem tanto, mas fato é que teremos uma grande oportunidade para valorizar nossa bebida nacional durante os eventos esportivos que se aproximam. Copa e Olimpíadas estão quase aí, mas é importante preparar o terreno para que a Cachaça não passe por eles despercebida, assim como foi no Panamericano.

Temos um longo trabalho pela frente para que o gringo se sente no barzinho da praia, peça uma caipirinha e não seja servido com uma mistura de limão, açúcar e vodka. Quem conhece alemães (um dos povos que mais consomem cachaça lá fora), franceses ou mesmo alguns latino-americanos, sabe que não raro vamos levar broncas por não estar servindo o drink nacional com a bebida nacional – estes cidadãos sabem, afinal, o que é “valorizar” o que é “seu”. Vai ser, também, uma grande oportunidade para quem “ainda não viu”, aprender com eles a prestar mais atenção na nossa Cachaça. Se dizem que brasileiro só dá valor ao que vem de fora, dessa vez vai precisar de quem está lá fora vir aqui nos ensinar o que é bom.

É verdade também que muitos estrangeiros ainda não conhecem a nossa bebida (a maioria deles na realidade). Temos que estar prontos para encantá-los com uma variedade de sabores, aromas e histórias quiçá mais numerosas do que as da companheira russa (mais indicada para outros drinks, não a caipirinha!). Só que, para isso, precisamos estar mais preparados. Nada disso vai acontecer como mágica, e exige esforços de vários setores: produtor, distribuidor, pontos de dose (restaurantes e bares), jornalistas, guias, associações… Muita gente precisa trabalhar bem para que esse momento único para a valorização da Cachaça seja bem aproveitado.

A questão do cobre também é uma que merece atenção: alguns deles tem preconceito com a bebida artesanal por pensarem que todas elas apresentam alto teor de cobre. Mas nem sempre. Há muitos produtores cuidando de seu alambique corretamente, e alguns até filtrando o produto para remover qualquer possível resquício. É importante que os órgãos reguladores fiquem atentos e forneçam mais informação ao consumidor.

Além do lado financeiro, interessantíssimo (pense no quanto movimenta a economia do vinho para países pequenos como o Chile e a França, depois projete isso para o Brasil), existem vários aspectos culturais que vão junto na esteira da Cachaça: ela é um excelente veículo, por exemplo, para trazer à tona outras riquezas gastronômicas do país e de cada região. Tanto na forma de frutas para acompanhá-la, quanto como pratos em refeições típicas. Além disso, o “brazilian spirit” (spirit, em inglês, significa “destilado”), carrega consigo também muitas histórias e peculiaridades que só são encontradas na Cachaça.

Não é fácil, mas com treino e perseverança, temos uma chance de conquistar os merecidos troféus e medalhas de ouro para Cachaça em 2014 e 2016. Vamos nessa!

Foto de: Felipe_Borges, do Flickr, sob licença CreativeCommons

 

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