Em defesa do etanol e a favor do clima

Na quinta-feira 24 de abril participei das manifestações em defesa do etanol, no interior de São Paulo. A Frente Parlamentar pela Valorização do Setor Sucroenergético (Frente do Etanol) por mim presidida se solidariza com essas ações. O biocombustível originário da cana-de-açúcar vive a maior crise de sua história. Nos últimos três anos, 44 usinas foram fechadas no País. Outras 33 unidades encontram-se em recuperação judicial. A situação está provocando desemprego, redução de arrecadação e levando à falência a indústria de máquinas e equipamentos por falta de encomendas.

Em Jaú, na região de Bauru, houve concentração de caravanas de trabalhadores, plantadores e fornecedores de cana das cidades de Barra Bonita, Lençóis Paulista, Dois Córregos, Mineiros do Tietê, Macatuba, Pederneiras, Boraceia , Bariri e Bocaina. E as manifestações também ocorrerem nesses municípios antes do ato regional. Em Jaú o evento contou com o apoio da Associação dos Plantadores de Cana da Região de Jaú, Associação dos Plantadores de Cana do Médio Tietê, Associação do Fornecedores de Cana da Região de Bariri e Associação dos Fornecedores de Cana da Região Iguaraçu-Barra Bonita.

A frente defende o consenso entre o governo federal e a cadeia produtiva do etanol e do açúcar, mas o Executivo tem se mostrado irredutível em atender as reivindicações do setor sucroenergético. As manifestações servem para mostrar à sociedade brasileira que trabalhadores rurais da indústria da cana, fornecedores e plantadores não aceitam o desmonte do etanol. E vão se multiplicar até maio, quando se organizará um ato nacional em defesa do etanol.

O futuro é preocupante. Neste início das atividades na safra 2014/2015 no Centro-Sul do País, reforçam-se as tendências observadas nos últimos anos: além de várias usinas em condições financeiras delicadas, pelo menos 10 unidades produtoras podem confirmar sua paralisação. O País e os brasileiros estão sendo penalizados pela falta de visão econômica e estratégica dos responsáveis pela política energética nacional.

Estamos indo de encontro aos esforços mundiais para diminuir as ameaças ao clima do Planeta, na contra mão até posicionamentos já subscritos pelo Brasil em reuniões de cúpula mundiais. Agora em abril, por exemplo, cientistas e membros credenciados do Painel Intergovernamental de Mudanças Climáticas (IPCC) das Nações Unidas reunidos em Berlim (Alemanha) insistiram que as lideranças mundiais devem acelerar a adoção de combustíveis limpos – como o nosso etanol – sob pena da impossibilidade de limitar os efeitos nocivos do aquecimento global.

No relatório que subsidiará o próximo encontro do clima, em 2015, os estudiosos advertem que nunca se emitiu tanto dióxido de carbono – oriundo da queima de combustíveis fósseis – e outros gases de efeito estufa na atmosfera como no século 21.

A China tem investido forte em energias renováveis e assume que a sustentabilidade terá um custo para o país, mas indica que este será largamente compensado no futuro. O Brasil tem o programa mais respeitado mundialmente de substituição de biocombustíveis fósseis – com o etanol da cana – enorme potencial hidrelétrico, eólico e solar, mas privilegia os combustíveis fósseis mantendo o preço artificial da gasolina e sujando a matriz energética com o uso intensivo de usinas termelétricas. Sem contar que tem sujado cada vez mais o ar das grandes cidades brasileiras, com sérios prejuízos à saúde da população e aos cofres do Estado no tratamento aos males causados pela poluição do ar.

Nós e muitos outros líderes mundiais que estão sinceramente engajados na melhoria da qualidade de vida do Planeta estamos surpresos pelo descaso com que o governo federal vem tratando a questão. As principais reivindicações que estão sendo levadas às ruas são o aumento da mistura do álcool anidro na gasolina – de 25% para 27,5% -; o retorno da Cide, o imposto sobre a gasolina; a desoneração de PIS/Cofins aos produtores; o incentivo ao desenvolvimento de programas de tecnologia automotiva no programa Inovar-Auto e a disseminação do uso da bioeletricidade gerada a partir da queima da palha e do bagaço da cana.

Vamos continuar a luta! Não podemos jogar fora o trabalho de milhares de brasileiros durante décadas em prol do meio ambiente e da sustentabilidade!

*Texto originalmente publicado no dia 24/04/14 no Portal do Arnaldo Jardim.

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