Gomo retificador reduz carbamato de etila na cachaça

Com objetivo de obter o titulo de Bacharel ou Licenciado em Engenharia Química do Centro Universitário da Fundação Educacional de Barretos (FEB), a aluna Geisa Adriana Rodrigues defendeu a tese sobre ANÁLISE DA REDUÇÃO DO CARBAMATO DE ETILA NA AGUARDENTE DE CANA POR MEIO DA UTILIZAÇÃO DO GOMO RETIFICADOR NA COLUNA DE DESTILAÇÃO, como  orientador da pesquisa foi o Prof. Me. Antonio Batista de Oliveira Jr. O trabalho acadêmico teve também, como objetivos secundários; Estudar materiais e pesquisas existentes sobre o carbamato de etila; Identificar os principais processos para produção de aguardente de qualidade; Realizar melhorias no processo em uma empresa no estado de São Paulo; Realizar testes de carbamato de etila e verificar se melhorias no processo reduziu a concentração de acordo com a Instrução Normativa. Ele foi apresentado a banca examinadora em dezembro de 2013 que foi composta pelos professores Prof. Me. Antonio Batista de Oliveira Jr. Orientador; Prof. Dr. Célio Fernando dos Santos Camargo ( Convidado) e Prof. Dr. José Marcelo Cangemi (Convidado).

“Dedico esse trabalho ao meu pai, Antonio Olivaldo Rodrigues que sempre acreditou em mim”.

Além disso, Geisa aponta pessoas em ato de agradecimento pelo trabalho concluído em tese que beneficia a sociedade civil.

“Agradeço a Deus, em primeiro lugar, pela capacitação concedida, sem a qual não poderia ter sido realizado este trabalho. Aos meus pais Antonio e Teresa Rodrigues, pelo tempo e amor investidos, e irmãos Jonas e Juliana, pelo carinho e companheirismo sempre demonstrados. Aos meus amigos, pelas palavras de motivação compartilhadas durante o desenvolvimento deste trabalho e, sobretudo, pela compreensão da minha ausência durante o ultimo semestre. Ao Antonio Baldinotti, que por muitas horas se dedicou para contribuir com sua experiência do dia a dia. A Copacesp –Cooperativa dos Produtores de Cana, Aguardente, Açúcar e Álcool do Estado de São Paulo, pela realização deste trabalho. Ao meu orientador, Prof. Me. Antonio Batista de Oliveira Jr, pelo apoio concedido durante a elaboração deste trabalho. Ao Matheus Alberto Consoli que pacientemente esteve ao meu lado me apoiando. Aos Produtores de cachaça e aguardente por fabricarem este produto genuinamente brasileiro”, assim reconhece Geisa em seu Trabalho de Conclusão de Curso (Graduação em Engenharia Química) UNIFEB – Barretos – SP. 2013. Com a  Instrução Normativa 13/2005, novos padrões para a produção de aguardente de cana foram instituídos, trazendo novos desafios para o setor produtivo. Confira entrevista exclusiva ao Portal da COPACESP: 

geisaPortal COPACESP: Qual foi o motivo que levou a defender esta tese tão importante na produção de Cachaça?

Meu interesse principal foi explorar melhor a temática da qualidade da cachaça. Esse é um seguimento que minha família está envolvida há muito tempo. Decidi com base nessa influência fazer o curso de Tecnologia em Produção Sucroalcooleira, depois a faculdade de Engenharia Química. Ademais, já atuo na COPACESP no setor de qualidade há 7 anos.

Como desde 2005 já temos uma legislação que demanda maiores controles sobre a qualidade da cachaça, e atuando profissionalmente nessa área, o tema do meu projeto de conclusão de curso tinha tudo a ver com isso. Tinha assim um benefício tanto acadêmico, quanto profissional, com objetivo de contribuir para melhoria da qualidade desse produto genuinamente brasileiro.

Portal COPACESP: Porque a aplicação do gomo retificador é imprescindível no processo de produção de cachaça?

Esse ajuste no processo de produção, com a adição do gomo retificador no processo de destilação foi inicialmente desenvolvido pela COPACESP, em parceria com a  Companhia Müller de Bebidas para ser testado em uma unidade produtiva no Estado de São Paulo (cooperado).

Assim, pudemos verificar que esses ajustes contribuíram para reduzir a concentração de componentes indesejáveis no produto final, principalmente o carbamato de etila, contribuindo assim para melhorar os padrões de qualidade e identidade do produto final. Assim, iniciativas dessa natureza são muito bem vindos para que possamos elevar a qualidade da cachaça produzida em uma escala setorial, que beneficie toda a cadeia produtiva.

Portal COPACESP: Quais são as alternativas no processo de produção da aguardente a fim de obter um produto final que se adeque as exigências legais em relação ao Carbamato de Etila?

Uma das alternativas é se redestilar a cachaça a fim de diminuir a concentração desse contaminante, mas essa é uma alternativa de elevado custo e que inviabilizaria sua produção.

Outra opção envolve a realização do tratamento de caldo visando a melhoria da matéria prima antes do processo de fermentação e destilação. Isso envolve a eliminação dos sais cianídricos, principal precursor do Carbamato de etila e a redução de materiais orgânicos, originando um caldo mais limpo.

Por fim, o que foi identificado nos testes conduzidos pela COPACESP e Companhia Müller de Bebidas que eu retrato na minha pesquisa foi à adição do gomo retificador, que se mostrou eficiente na redução desse contaminante orgânico ajudando na adequação das exigências legais quanto ao carbamato de etila.

Vale ressaltar que apenas uma dessas alternativas podem não ser suficientes para se adequar aos níveis de carbamato exigidos pela legislação. Assim, é desejável que tanto o tratamento de caldo quanto a adição do gomo retificador sejam implementados e nos testes que realizamos com essas melhorias, bons resultados foram alcançados, dentro das normas legais vigentes.

Portal COPACESP: Qual a eficiência deste método utilizado, em quanto se reduz o Carbamato de Etila no produto final?

Os testes realizados que eu apresento na minha pesquisa mostraram que a redução da concentração de carbamato de etila em condições anteriores e depois da implementação do tratamento de caldo e do gomo retificador podem chegar a níveis de 40% a 60%. Com isso pudemos mostrar claramente a eficiência dessas melhorias em processos e seus impactos na qualidade do produto final.

Portal COPACESP: Quais são os Fatores de Qualidade da Matéria Prima  na Cachaça?

A produção da cachaça com qualidade deve ser realizada observando- se os critérios das Boas Práticas de Fabricação, durante todas as etapas relacionadas com a produção, portanto deve-se observar alguns pontos importantes como:

  • Seleção das variedades de cana a serem plantadas buscando sua adequação ao ambiente de produção;
  • Controle Fitossanitário;
  • Moer cana fresca, com período de corte/queima máximo de 24 horas;
  • Remover as impurezas do caldo antes da fermentação;
  • Não utilizar uréia na fermentação (principal precursor do carbamato de etila);
  • Utilizar água potável para embebição nas moendas e fermento de qualidade.
  • Assepsias e higiene em todas as etapas de produção.
  • Destilar o vinho rapidamente após o encerramento da fermentação;
  • Utilizar corretamente os equipamentos e utensílios para cada etapa da produção.

Estes são alguns pontos a serem observados para se obter uma cachaça de qualidade dentro das especificações do MAPA (Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento).

Saiba Mais

A história da cachaça se confunde com a própria história do Brasil. Foi à primeira bebida destilada na América Latina, descoberta entre os anos 1534 e 1549, durante o processo de produção do açúcar. Ali surgia a aguardente de cana genuinamente brasileira, denominada cachaça. Hoje, é a terceira no mundo, com cerca de 5 mil marcas, 30 mil produtores no Brasil e volume anual em torno de 1,3 bilhão de litros segundo ABRABE (2013). As exportações de Cachaça, hoje em torno de 15 milhões de litros e um crescimento médio de 10% ao ano, devem fechar a década superando o volume previsto de 42 milhões de litros, número ainda pequeno se comparado à produção, mas com enorme potencial a ser explorado, considerando-se as tendências e o já comprovado sucesso da bebida no mundo. Os produtores, motivados pela competição na conquista dos mercados internos e externos, estão procurando cada vez mais agregar valor ao produto, obter reconhecimento internacional e aumentar as exportações. São vários os países que adquirem o produto brasileiro, sendo a Alemanha, Portugal, Estados Unidos, França e Paraguai os que mais importaram cachaça do Brasil. Como a cachaça está no ranking das melhores bebidas e de grande aceitação no mercado nacional e internacional, a necessidade de se conhecer a composição físico-química, tanto inorgânica (metais e outros) como orgânica (componentes secundários), é muito importante. De acordo com a Instrução Normativa nº13, de 30/06/2005, foram definidas as quantidades máximas permitidas de alguns contaminantes anteriormente não mencionados, como o carbamato de etila. O prazo máximo para adequação e controle dos contaminantes da cachaça, com início na data da publicação, é de 3 anos, com exceção do carbamato de etila que é de 5 anos. Entre os componentes secundários, o carbamato de etila (CE) vem sendo largamente estudado. Este é um composto carcinogênico encontrado naturalmente em baixas concentrações em diferentes bebidas alcoólicas e em alguns alimentos fermentados.  Dessa forma, essa pesquisa tem como foco a análise e identificação de formas e processos para redução da concentração do carbamato de etila em aguardentes de cana de açúcar, para atender a legislação vigente e garantir a qualidade do produto.   

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