História

Finais da década 60, início dos anos 70, uma grande crise que assolava o setor sucroalcooleiro envolvia, consequentemente, a aguardente ou cachaça, como é também chamada a quatrocentona “pinga”, um dos primeiros produtos derivados da cana-de-açúcar a ser fabricado em terras brasileiras nos tempos coloniais, e, sobrevivendo ao tempo, sem, contudo, alcançar o prestigio que obtiveram “seus irmãos de sangue, digo, de caldo”, o açúcar e o álcool. Os desalentados produtores da aguardente viam-se vilipendiados à mercê de oportunistas, que, aproveitando-se da a situação, se valiam do mau conceito que a sociedade ética impingia à “pinga”. A reação foi a seguinte: Ou se investiria duro na produção, melhorando o padrão de qualidade para valorizar o produto e exigir mais respeito por parte dos engarrafadores, ou pára-se de vez com a produção de cachaça. Essa reação aconteceu no inicio dos anos setenta. A idéia pré-concebida, foi sendo propagada por uma liderança, que “arregaçaram as mangas” e visitando os donos de engenhos expuseram a idéia entre os incrédulos produtores, entre eles alguns acabaram aderindo ao propósito de se formar uma associação. Um destemido idealizador, Sr. Fernandes dos Reis, na época Diretor Presidente da Copercana em Sertãozinho/SP, conhecedor com experiência no setor canavieiro, que além disso, mantinha estreito vínculo com autoridades dos setores agrícolas do Governo Federal, membro efetivo do Conselho Nacional do Álcool no tempo da ditadura e desfrutava de grande prestígio e influente acesso ao I. A. A.- Instituto do Açúcar e do Álcool, órgão criado pelo Governo para o desenvolvimento do setor sucroalcooleiro, e outro nome, de igual importância, Dr. Hamilton Balbo, engenheiro civil, empresário do setor da construção civil, que naquela época era também proprietário, junto com a família, do antigo Engenho Galo Bravo em Ribeirão Preto, Ambos, empreendedores e arrojados, uniram-se e visitaram os donos dos engenhos naquela época. À idéia bem convenceu a muitos dos proprietários de engenhos que anuíram ao propósito e a eles se uniram outros nomes nas demais regiões do Estado de São Paulo, entre os quais distinguem-se: Sr. José Pavan, em Campinas/SP; Palmiro Malosso, Itápolis/SP; José Reinaldo Bertolo, em Pirangi/SP; Antonio Eduardo Toniello, em Sertãozinho/SP, Sergio Salvagni, em Taquaritinga/SP; Altino Sverzut em Sertãozinho/SP; Ângelo Antonio Pignata, em Sertãozinho/SP; Itamar Prada, em Palmital/SP; José João Paccolla, em Lençóis Paulista /SP; Antonio Tadeu Andreoli, em Lençóis Paulista/SP; Orlando Forlan, em Piracicaba; José Carvalho da Silva, em Dois Córregos/SP ; Olindo Baggio, em Leme/SP; Laurindo Foltran, em Leme/SP; Colomí Rosa, em Boituva /SP; Adelino Honorato Bertolo, em Pirangí/SP, Dr. João Batista Campos Cintra, em São Manuel/SP; Gerhart Houzhausen, em Assis/SP; Aparecido Morante, em Palmital/SP; Albino de Rainho, em Palmital /SP; Alcides Beloddi, em Jaboticabal/SP; Silvio Petto, em Limeira/SP. Alcides Belloddi, em Jaboticabal/SP; Itamar Prada, em Palmital/SP; Milton Gondim Pyles, em Palmital/SP.

A primeira assembléia foi realizada no dia 19 de janeiro de 1971, presidida por Dorival Borsari, que convidou ao Dr. Hamilton Balbo para secretariar e elaborar a ata de fundação. Expostos os propósitos, foi lido na presença de todos o Estatuto Social, elaborado segundo a orientação do Departamento de Assistência ao Cooperativismo, que após lido a aprovado por todos, e assim foi declarada definitivamente constituída e Copacesp – Cooperativa dos Produtores de Aguardente de Cana do Estado de São Paulo Ltda., seu primeiro nome, Os anos seguintes, ainda críticos, não prometia muito para o setor, fez com que muitos desistissem, mas, houve um grupo de cooperados que acreditou , e em meio a toda sorte de dificuldade perseveraram até que em 1974 com a instituição do Proalcool pelo governo Federal, houve o despertar de um novo tempo. Com o advento do proalcool foram instaladas duas destilarias na cidade de Barrinha – SP, para se fazer álcool a partir da aguardente excedente ao mercado. Houve assim a necessidade de se estabelecer os serviços técnicos para fazer o acompanhamento na produção junto aos cooperados. Foram então criados os departamentos técnicos: Químico, Agronômico para dar orientação direta aos donos dos engenhos. Elaborou-se um padrão para a aguardente, trabalhou-se em cima da qualidade com permanente vigilância dos laboratórios especialmente montados para fazer o acompanhamento. Outros departamentos tiveram que ser criados, como o de Assistência Social para os cooperados e aos seus funcionários e aos funcionários da própria cooperativa. O nome da cooperativa sofreu alteração, para incluir o álcool que agora produzia, Ultimamente outros serviços de atendimento foram instituídos, novos departamentos, tais como: Segurança do Trabalho e o de Mecânica Industrial que sincronizados com departamento Químico atuam no conjunto de operações que resultam num perfeito atendimento aos associados. “Pegando o bonde” do Proalcool, muitos cooperados foram paulatinamente deixando de produzir somente aguardente, foram instalando destilarias para álcool, e passando a produzir diretamente o álcool, tornando-se, por um lado, independentes das atenções da Copacesp, mas, por outro, pela solidariedade, mantendo o vínculo e fortalecendo os propósitos pela qual ela existe. Atualmente, a grande maioria dos cooperados já produz álcool e alguns avançaram mais e, dando um passo à frente dentro do setor, estão fabricando açúcar também. Com esse progresso, cremos que a Copacesp – hoje, COOPERATIVA DOS PRODUTORES DE CANA, AGUARDENTE, AÇÚCAR E ÁLCOOL DO ESTADO DE SÃO PAULO, vem cumprindo a contento a sua missão, e dá-se por satisfeita pelo fato de acreditar, atestar e divulgar o cooperativismo, o principio da cooperação e mútua colaboração em prol de uma idéia. O resultado é que na atualidade a Copacesp é responsável pela produção e comercialização de cerca de cem milhões de litros da melhor aguardente existente no mercado sob diferentes marcas e está apta para aumentar ainda mais a sua produção a fim de atender a qualquer quantidade que for necessária tanto para a colocação no mercado nacional, bem como no internacional.