Mercado da Cachaça quer percorrer o caminho da Tequila para crescer na preferência mundial

Enquanto o México exportou mais de 200 milhões de litros de Tequila para mais de 190 países em 2017, quase 70% de volume produzido, o Brasil exportou pouco mais de 8 milhões de litros para 60 países

 

A Cachaça é hoje a segunda bebida alcoólica mais consumida no mercado interno. Perde apenas para a cerveja, que é fermentada. Reconhecida como tipicamente brasileira, se tornou aposta do setor de destilados.

 

A bebida vem vivendo momentos especiais, principalmente nos últimos cinco anos. No cenário interno, a possibilidade dos micro e pequenos produtores de Cachaça poderem optar, a partir de 1 de Janeiro de 2018, pelo Simples Nacional, representou um novo “fôlego” para o setor cachaceiro, pois reduzirá a informalidade e alavancará a oferta de empregos formais gerados pelas micro e pequenas empresas. Para o consumidor, poderá levar bares e restaurantes a oferecerem uma maior variedade de Cachaças diferenciadas e legalizadas.

 

No âmbito internacional, destaca-se nesse período o reconhecimento pelos Estados Unidos (2013) de que a Cachaça é um produto distinto do Brasil, o reconhecimento também pela Colômbia (2012) e, recentemente, a assinatura pelos governos do Brasil e México do acordo para o reconhecimento mútuo da Cachaça e da Tequila como indicações geográficas e produtos distintivos do Brasil e do México.

 

“O acordo estabelece que toda bebida vendida no Brasil com o nome de tequila será de fabricação mexicana, assim como toda cachaça vendida no mercado mexicano deverá ter sido fabricada no Brasil”, explica Alexandre Bertin, presidente da Confraria Paulista da Cachaça.

 

Mesmo com tantas conquistas, a Cachaça ainda tem um longo caminho a percorrer e grandes desafios para o futuro, como o aumento das exportações, a consolidação do mercado internacional e a luta pelo reconhecimento em outros países como bebida genuína e exclusiva do Brasil.

 

Segundo dados do Instituto Brasileiro da Cachaça (IBRAC), as exportações da bebida atualmente estão aquém do potencial de mercado e estima-se que menos 1% do volume produzido é exportado.

 

Comparando com as exportações da Tequila, enquanto em 2017 o México exportou mais de 200 milhões de litros para mais de 190 países, quase 70% de volume produzido, o Brasil exportou pouco mais de 8 milhões de litros do destilado exclusivamente brasileiro para 60 países com mais de 50 empresas exportadoras, gerando receita de US$ 15,80 milhões (8,74 milhões de litros). Esses números representam um crescimento de 13,43% em valor e 4,32% em volume, em comparação a 2016. No entanto, o potencial ainda tem sido pouco explorado.

 

A Tequila traz lições importantes para o setor cachaceiro. Parte do sucesso da projeção da bebida mexicana no mundo deve-se a forma de organização do setor no México. Essa forma de organização tem sido um exemplo perseguido pelos produtores de Cachaça, por meio do IBRAC, que há alguns anos defende junto ao governo brasileiro que a Cachaça tenha o mesmo modelo organizacional existente no México.

 

As empresas brasileiras têm se esforçado, mas as ações de promoção da Cachaça nos mercados internacionais podem ser consideradas tímidas, se comparadas com as de outras categorias concorrentes. Para se estabelecer um comparativo, enquanto a Tequila é protegida em mais de 46 países, incluindo a União Europeia, a Cachaça está protegida em apenas três países (Estados Unidos, Colômbia e México).

 

“Para aqueles que querem investir no mercado da Cachaça, o desafio será grande para atender aos nichos de consumo. Na produção é necessário planejamento e um olhar voltado para três pilares: alta qualidade do produto, processo de envelhecimento e embalagens diferenciadas. Sem esquecer que após essa etapa, outra grande barreira é a comercialização do produto, pois os canais de distribuição são restritos. Sem isso, a concorrência no mercado interno ou externo se torna esmagadora”, explica Bertin.  

 

Com o objetivo de atingir nichos de mercado, muitas empresas, especialmente as artesanais, desenvolvem embalagens diferenciadas, que têm contribuído para melhorar a imagem e expandir o mercado. As novas “roupagens” abandonaram a aparência pitoresca e agora apresentam projetos mais elaborados, em estilos artesanais ou sofisticados.

 

Dados do setor cachaceiro no Brasil
Segundo dados do Instituto Brasileiro da Cachaça (IBRAC), juntamente com o Prof. Jairo Martins, o Brasil possui mais de 1.500 produtores devidamente registrados, com 4.000 marcas.

 

Estima-se que esses produtores possuam uma capacidade instalada de produção de aproximadamente 1,2 bilhão de litros anuais da bebida, porém, anualmente são produzidos menos de 800 milhões de litros.

 

Atualmente, a Cachaça é um dos quatro destilados mais consumidos mundialmente. No Brasil, é a segunda bebida alcoólica mais consumida e representa 72% do mercado de destilados. Os principais estados produtores (em volume) são: São Paulo, Pernambuco, Ceará, Minas Gerais e Paraíba.

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