Multiplicar por dez as exportações de cachaça: essa é meta

multiplicar-por-dez-as-exportacoes-de-cachacaA cachaça agora está incluída no plano Brasil Maior, que implementa a política industrial do governo Dilma Rousseff. Isso significa que o setor é um dos que poderão receber tratamento especial, como desoneração para investimentos e vendas externas, incentivo à inovação e avanços no seu marco regulatório. Essa inclusão representa não apenas um reconhecimento da importância socioeconômica do setor – que emprega direta ou indiretamente, cerca de 600 mil pessoas –, mas, principalmente, a percepção do enorme potencial da bebida no competitivo mercado global de destilados.
Em 2013, a Cachaça foi exportada para 59 países, gerando receita ainda modesta de US$ 16,5 milhões, mas que representou um aumento de 10,71% em relação a 2012, contra uma queda de 1% no total das exportações brasileiras. Os principais países de destino seguem sendo Alemanha, Estados Unidos, Portugal, França, Paraguai e Itália.
A melhor notícia é que já são mais de 60 as empresas exportadoras do setor. Parece pouco? Não é não senhor, se levarmos em conta a pouco cultura de comércio externo do Brasil, que tem a vexaminosa marca de pouco mais de 18 mil empresas exportadoras, número que vem caindo desde 2008. Nossos produtores estão aprendendo o caminho das pedras e agora parecem contar com a ajuda decidida do governo central e de outras entidades.
Tanto é assim que a reunião da Câmara trouxe outra notícia altamente alvissareira: o Sebrae vai apoiar a participação da cachaça brasileira no prestigioso Concurso de Bruxelas, que terá uma edição em junho, em Florianópolis. Serão 100 produtores que poderão contar com subsídios do órgão para participar do Concurso Mundial de Destilados, no qual serão analisadas mais de 1000 amostras de bebidas de todo o mundo. Choverão medalhas para as nossas branquinhas às vésperas da Copa do Mundo.
No âmbito governamental, o grande desafio é o reconhecimento da cachaça como produto genuinamente brasileiro (ou seja, com Indicação Geográfica) pela Comunidade Europeia e a abertura do mercado chinês, temas que já são tratados por órgãos oficiais brasileiros tanto como o bloco quanto com o país asiático. Essas negociações são extremamente complexas, envolvendo regras de reconhecimento e reciprocidade, especialmente com os tão dissimulados quanto experimentados protecionistas europeus, mas é bom saber que elas já estão na pauta dos encontros bilaterais.
Faltam ainda avanços mais claros na tributação do setor como um todo – que iguala desiguais – e no delicado combate à informalidade, que deve ter no incentivo ao cooperativismo e na simplificação da legislação duas de suas chaves principais.
Por fim, vale registrar que a Câmara Setorial ganha abrangência com a entrada de dois novos membros: a Cúpula da Cachaça, grupo multidisciplinar de pesquisa e iniciativas para o desenvolvimento do destilado do qual o blogueiro faz parte, e o Centro Brasileiro de Referência da Cachaça, que tem sede em Belo Horizonte (MG).
E mais dois registros de iniciativas importantes da semana pré-carnavalesca: o Ibrac (Instituto Brasileiro da Cachaça) e a Apex (Agência Brasileira de Promoção de Exportações e Investimentos) estão realizando nos dias 26 e 27 um Workshop de Planejamento Estratégico para o segmento da Cachaça em Brasilia. São 60 participantes – associações estaduais de produtores, entidades empresariais e governamentais – que buscam alinhar conceitos e definir metas e estratégias para alavancar a imagem da cachaça no Brasil e no exterior. E a Weber Haus é uma das 45 empresas que recebem os mais de 300 convidados estrangeiros – importadores e formadores de opinião de mais de 50 países – do Projeto Carnaval, também da Apex, que traz a turma para fazer negócios e, no intervalo, se esbaldar na folia. Tem tudo pra dar certo.

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