{"id":1189,"date":"2014-09-21T17:37:19","date_gmt":"2014-09-21T17:37:19","guid":{"rendered":"http:\/\/copacesp.com.br\/?p=1189"},"modified":"2014-09-21T17:37:19","modified_gmt":"2014-09-21T17:37:19","slug":"sertaozinho-quer-desapegar-do-etanol","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/copacesp.com.br\/?p=1189","title":{"rendered":"Sert\u00e3ozinho quer \u2018desapegar\u2019 do etanol"},"content":{"rendered":"<p><img decoding=\"async\" loading=\"lazy\" class=\"alignleft size-medium wp-image-1190\" src=\"http:\/\/copacesp.com.br\/wp-content\/uploads\/2014\/09\/11485544-300x199.jpg\" alt=\"11485544\" width=\"300\" height=\"199\" srcset=\"https:\/\/copacesp.com.br\/wp-content\/uploads\/2014\/09\/11485544-300x199.jpg 300w, https:\/\/copacesp.com.br\/wp-content\/uploads\/2014\/09\/11485544.jpg 732w\" sizes=\"(max-width: 300px) 100vw, 300px\" \/>No norte paulista, costuma-se dizer que Sert\u00e3ozinho produz e Ribeir\u00e3o Preto leva a fama. Eliminado o exagero, esse polo tecnol\u00f3gico tem sofrido os efeitos da crise do setor do a\u00e7\u00facar e \u00e1lcool tanto quanto a vizinha mais rica. Duas de suas sete usinas fecharam &#8211; Albertina e Pignatta. Sem encomendas grandes desde 2009, as f\u00e1bricas de m\u00e1quinas e equipamentos demitiram 2 mil trabalhadores neste ano e vivem um delicado momento financeiro. A receita municipal caiu e arrastou a cidade 4\u00ba lugar no ranking nacional de qualidade de vida em 2007 para a 56\u00aa posi\u00e7\u00e3o, em 2011.<\/p>\n<p>Sert\u00e3ozinho procura agora descolar-se do etanol. Quanto mais investimento em subprodutos da cana, mais tecnologia incorporada e maior a chance de seus produtores darem a volta por cima. Nos \u00faltimos anos, t\u00eam se salvado os usineiros que investiram na cogera\u00e7\u00e3o de energia el\u00e9trica e os industriais que fabricaram m\u00e1quinas para os setores qu\u00edmico e de petr\u00f3leo. \u201cA nossa sa\u00edda \u00e9 a diversifica\u00e7\u00e3o\u201d, afirmou o prefeito Jos\u00e9 Alberto Gimenez (PSDB), que calcula uma perda de 10% em repasses estaduais em 2014.<\/p>\n<p>A cidade de 199 mil habitantes vive ainda em ambiente ainda nebuloso. De suas 550 empresas, cerca de 440 s\u00e3o do setor sucroalcooleiro e enfrentam as mesmas mazelas: o subs\u00eddio ao pre\u00e7o da gasolina, que tornou menos interessante o consumo de etanol no Pa\u00eds, a quebra de safra por causa da seca e a queda da cota\u00e7\u00e3o do a\u00e7\u00facar no mercado internacional. A ociosidade da ind\u00fastria local chega a 60%, segundo a Uni\u00e3o da Ind\u00fastria da Cana-de-A\u00e7\u00facar (Unica), e s\u00e3o raros os dias em que os sindicatos locais n\u00e3o recebem dezenas de demitidos.<\/p>\n<p>Na \u00faltima quarta-feira, tr\u00eas homens esperavam a vez para rescindir o contrato de trabalho no Sindicato dos Metal\u00fargicos &#8211; Paulo Silva Gomes, 61 anos, e os filhos Alessandro, de 37, e Saulo, de 29, todos soldadores da HPB Energia at\u00e9 21 de agosto. Eles constaram da lista de mais de cem demitidos. \u201cNos disseram que podiam nos recontratar no futuro. Mas estou muito preocupado\u201d, disse Alessandro, pai de um beb\u00ea de 1 ano e 9 meses. \u201cDigo aos meus filhos para n\u00e3o se assustarem. Claro que fiquei sentido. Mas j\u00e1 tive empresa e sei como \u00e9 dif\u00edcil levar o neg\u00f3cio adiante\u201d, completou Paulo.<\/p>\n<p>O administrador de empresas Paulo Junqueira, de 37 anos, procura emprego h\u00e1 dois anos, desde que foi demitido de uma multinacional. Casado e sem filhos, faz bicos como consultor enquanto sua mulher mant\u00e9m um sal\u00e3o de beleza. \u201c(A presidente) Dilma Rousseff acabou com a cidade, mas os usineiros tamb\u00e9m s\u00e3o culpados porque querem tudo de m\u00e3o beijada do governo.\u201d<\/p>\n<p><strong>Novos neg\u00f3cios<\/strong><\/p>\n<p>As usinas locais, neste ano de seca, v\u00e3o antecipar a colheita em 40 dias e dispensar os trabalhadores tempor\u00e1rios no fim de outubro. A sa\u00edda para duas delas, S\u00e3o Francisco e Santo Ant\u00f4nio, ambas do Grupo Balbo, foi tra\u00e7ada na d\u00e9cada passada. O grupo investiu na produ\u00e7\u00e3o de a\u00e7\u00facar org\u00e2nico, que deu origem \u00e0 linha de alimentos Native, de levedura (prote\u00edna do a\u00e7\u00facar) e na gera\u00e7\u00e3o de energia. Mesmo com quebra de 8% da safra atual, tr\u00eas projetos continuam em curso: a produ\u00e7\u00e3o de probi\u00f3tico, de pl\u00e1stico biodegrad\u00e1vel e de cera de a\u00e7\u00facar.<\/p>\n<p>A ind\u00fastria de bens de capital da cidade sofre queda de 50% no faturamento em rela\u00e7\u00e3o \u00e0 d\u00e9cada passada. Segundo Ant\u00f4nio Tonielo, presidente do Centro Nacional das Ind\u00fastrias do Setor Sucroenerg\u00e9tico e Biocombust\u00edveis (Ceise-Br), as pequenas quebraram. As grandes est\u00e3o endividadas porque n\u00e3o h\u00e1 mais reformas de usinas nem novas unidades em constru\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>Para Tonielo, a ind\u00fastria de Sert\u00e3ozinho paga caro pelo investimento pesado que fez no setor. Em meados da d\u00e9cada passada, empregava 15 mil trabalhadores &#8211; 5 mil dos quais j\u00e1 foram dispensados. \u201cA economia de Sert\u00e3ozinho crescia em ritmo chin\u00eas de 2006 a 2008, de 10% a 12% ao ano. Era para termos 20 mil empregados hoje.\u201d<\/p>\n<p>Boa parte das ind\u00fastrias tenta diversificar sua produ\u00e7\u00e3o. A Caldema chegou a fabricar de oito a dez caldeiras para a gera\u00e7\u00e3o de energia por ano entre 2006 e 2008, quando tinha 600 empregados. Neste ano, fabricou tr\u00eas unidades e executou algumas reformas. Com 30 demiss\u00f5es recentes, sua folha de pagamentos encolheu para 500.<\/p>\n<p>Para evitar uma \u201csangria\u201d maior, a Caldema foi atr\u00e1s de novas tecnologias. Fechou um contrato com a americana Foster Wheeler para produzir caldeiras que podem processar qualquer tipo de biomassa. Neste ano, a Caldema tamb\u00e9m fechou um contrato para produzir a caldeira para a primeira unidade de gera\u00e7\u00e3o de energia a partir do lixo, em Barueri (SP).<\/p>\n<p><strong>Com\u00e9rcio<\/strong><\/p>\n<p>O com\u00e9rcio local n\u00e3o tem para onde correr e espera a recupera\u00e7\u00e3o da ind\u00fastria e das usinas. O faturamento da Loja das F\u00e1bricas, fundada h\u00e1 60 anos, caiu 10%. E a situa\u00e7\u00e3o n\u00e3o ficou ainda pior porque o comerciante Jayme Mois\u00e9s, de 87 anos, mant\u00e9m as vendas \u201cfiado\u201d, com as compras anotadas em cadernetas.<\/p>\n<p>Domingos Carotine, de 70 anos, calcula queda de 70% no faturamento de sua loja de material de constru\u00e7\u00e3o nos \u00faltimos tr\u00eas anos. Em 2011, empregava 30 pessoas &#8211; hoje, s\u00e3o 8. Com as vendas em queda, a receita para manter a loja fundada por seu pai nos anos 40, Carotine mant\u00e9m o estoque para evitar a perda da freguesia. \u201cAcredito que em tr\u00eas anos pode haver melhoria no movimento. Mas isso depende das elei\u00e7\u00f5es de novembro.\u201d<\/p>\n<p><em><strong>Denise Chrispim Marin<\/strong><\/em><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>No norte paulista, costuma-se dizer que Sert\u00e3ozinho produz e Ribeir\u00e3o Preto leva a fama. Eliminado o exagero, esse polo tecnol\u00f3gico tem sofrido os efeitos da crise do setor do a\u00e7\u00facar e \u00e1lcool tanto quanto a vizinha mais rica. Duas de suas sete usinas fecharam &#8211; Albertina e Pignatta. 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