{"id":1388,"date":"2015-03-11T12:51:16","date_gmt":"2015-03-11T12:51:16","guid":{"rendered":"http:\/\/copacesp.com.br\/?p=1388"},"modified":"2015-03-11T12:51:16","modified_gmt":"2015-03-11T12:51:16","slug":"tecnicos-e-agricultores-investem-na-producao-de-cachacas-especiais","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/copacesp.com.br\/?p=1388","title":{"rendered":"T\u00e9cnicos e agricultores investem na produ\u00e7\u00e3o de cacha\u00e7as especiais"},"content":{"rendered":"<p><em><strong>No ranking das bebidas destiladas, cacha\u00e7a \u00e9 a terceira mais consumida.<\/strong><\/em><br \/>\n<em><strong>Produ\u00e7\u00e3o movimenta mais de R$ 7 bilh\u00f5es por ano no Brasil.<\/strong><\/em><\/p>\n<p><img decoding=\"async\" loading=\"lazy\" class=\"alignleft size-medium wp-image-1389\" src=\"http:\/\/copacesp.com.br\/wp-content\/uploads\/2015\/03\/cachaca2-300x169.jpg\" alt=\"cachaca2\" width=\"300\" height=\"169\" srcset=\"https:\/\/copacesp.com.br\/wp-content\/uploads\/2015\/03\/cachaca2-300x169.jpg 300w, https:\/\/copacesp.com.br\/wp-content\/uploads\/2015\/03\/cachaca2.jpg 640w\" sizes=\"(max-width: 300px) 100vw, 300px\" \/>O segmento das cacha\u00e7as especiais vem ganhando espa\u00e7o dentro e fora do pa\u00eds. Elas s\u00e3o feitas de forma artesanal, em pequenas quantidades. Com investimentos para melhorar a qualidade da bebida, tem agricultor ganhando dinheiro e respeito no mercado.<\/p>\n<p>A cacha\u00e7a \u00e9 a mais brasileira das bebidas. Faz parte da nossa cultura e da nossa economia, desde o in\u00edcio da coloniza\u00e7\u00e3o, \u201cAp\u00f3s 1530 chegaram as primeiras mudas de cana de a\u00e7\u00facar, principalmente para a produ\u00e7\u00e3o de a\u00e7\u00facar. Junto com o a\u00e7\u00facar, come\u00e7ou-se a produzir o \u00e1lcool, a cacha\u00e7a, porque era uma moeda de troca para a compra de escravos na \u00c1frica pra poder movimentar esses engenhos aqui no Brasil\u201d, explica o qu\u00edmico Erwin Weinmann.<\/p>\n<p>Weinemann \u00e9 especialista em cacha\u00e7a e j\u00e1 escreveu at\u00e9 livro sobre o assunto. Ele conta que hoje, a fabrica\u00e7\u00e3o artesanal da bebida emprega mais gente no Brasil, do que a ind\u00fastria automobil\u00edstica. \u201cA cacha\u00e7a artesanal gera mais de 500 mil empregos. A ind\u00fastria automobil\u00edstica gera 220, 230 mil\u201d, afirma.<\/p>\n<p>O dado n\u00e3o leva em conta as grandes ind\u00fastrias. Estamos falando apenas dos alambiques artesanais. Empresas pequenas, que investem mais em qualidade do que em quantidade. Estima-se que hoje existam perto de 30 mil destilarias artesanais no Brasil, que produzem por ano algo em torno de 500 milh\u00f5es de litros de cacha\u00e7a.<\/p>\n<p>Um desses alambiques pertence a uma empresa familiar que produz cacha\u00e7a h\u00e1 mais de um s\u00e9culo. Ivoti \u00e9 o ber\u00e7o da imigra\u00e7\u00e3o alem\u00e3 no Rio Grande do Sul. Os tra\u00e7os da coloniza\u00e7\u00e3o germ\u00e2nica est\u00e3o preservados na Picada 48, uma comunidade rural, tombada pelo patrim\u00f4nio hist\u00f3rico nacional:<br \/>\nAs primeiras fam\u00edlias chegaram \u00e0 Picada 48 em 1824, trazendo na bagagem a esperan\u00e7a de uma vida melhor e as profiss\u00f5es que j\u00e1 exerciam na Alemanha. Uma dessas fam\u00edlias era fabricante de uma bebida destilada feita com batata: o schinapz. Aqui no Brasil, eles conheceram a cana de a\u00e7\u00facar e foi assim que come\u00e7ou uma longa hist\u00f3ria na produ\u00e7\u00e3o de cacha\u00e7a.<\/p>\n<p>Weber Haus ou em portugu\u00eas, casa dos Weber. A fam\u00edlia vive em 30 hectares de terra, desde 1824. Foram os av\u00f3s de Hugo Weber que abriram a \u00e1rea e come\u00e7aram a plantar cana de a\u00e7\u00facar. \u201cO nosso engenho l\u00e1 embaixo era tocado a mula e boi. N\u00e3o tinha motor, depois a gente comprou um motor a gasolina, depois veio a luz el\u00e9trica\u201d, conta.<\/p>\n<p>No come\u00e7o, a fam\u00edlia produzia cacha\u00e7a para o consumo e pra abastecer a vizinhan\u00e7a. O pai de Hugo construiu o primeiro alambique comercial na regi\u00e3o em 1948. \u201cN\u00f3s t\u00ednhamos oito irm\u00e3os e ningu\u00e9m queria trabalhar na cacha\u00e7a. Depois que ele nos deu o alambique eu prometi que ia cuidar\u201d, conta.<\/p>\n<p>Hugo Weber casou com Eug\u00eania e tiveram quatro filhos, que hoje tocam a propriedade com a ajuda de maridos e cunhados. Foram eles que, h\u00e1 dez anos, decidiram mudar tudo no local.<\/p>\n<p>Evandro Weber, diretor comercial da empresa, conta que o primeiro passo foi trocar o cultivo convencional da cana pelo sistema org\u00e2nico. \u201cN\u00f3s aplic\u00e1vamos com a m\u00e3o a ur\u00e9ia, e sempre tinha que ser em dias molhados. Um certo dia eu queimei as pernas e as m\u00e3os e abriu, virou uma ferida e em 2004 tomamos a decis\u00e3o de n\u00e3o usar mais porque eu fiquei quase tr\u00eas semanas com a pele aberta\u201d, conta.<\/p>\n<p>O canavial da propriedade tem 22 hectares. Todos os res\u00edduos produzidos na fabrica\u00e7\u00e3o da cacha\u00e7a voltam pro campo em forma de fertilizante. O baga\u00e7o da cana e o vinhoto, l\u00edquido que sobra no processo da destila\u00e7\u00e3o, s\u00e3o transformados em composto org\u00e2nico.<\/p>\n<p>O vinhoto, tamb\u00e9m \u00e9 aplicado puro no canavial. Como explica o agr\u00f4nomo, F\u00e1bio Sato, que d\u00e1 assist\u00eancia t\u00e9cnica \u00e0 propriedade. \u201cEle \u00e9 rico em mat\u00e9ria org\u00e2nica, principalmente em nitrog\u00eanio, que \u00e9 o principal nutriente que acelera a decomposi\u00e7\u00e3o da mat\u00e9ria seca e os outros nutrientes que ele fornece para a cana\u201d, diz.<\/p>\n<p>\u201cEm m\u00e9dia, hoje colhemos 105 toneladas de cana por hectare. \u00c9 uma boa produtividade para um sistema org\u00e2nico. Aqui no Rio Grande do Sul, a m\u00e9dia \u00e9 de 60, 70 nos sistemas convencionais\u201d, afirma o agricultor Evandro Weber.<\/p>\n<p>Do campo, a cana segue direto pra destilaria onde \u00e9 esmagada tr\u00eas vezes, pra extrair o m\u00e1ximo de caldo. Por dia, a empresa esmaga doze toneladas de cana. O caldo cai em um filtro que ret\u00e9m as fibras , em seguida, vai para o decantador onde as impurezas s\u00e3o separadas do caldo.<\/p>\n<p>Passo seguinte \u00e9 padronizar o teor de a\u00e7\u00facar, adicionando \u00e1gua ao o caldo de cana. Em seguida, a mistura segue pra fermenta\u00e7\u00e3o. \u201cO processo de fermenta\u00e7\u00e3o basicamente \u00e9 a transforma\u00e7\u00e3o do a\u00e7\u00facar em \u00e1lcool. Quem faz essa transforma\u00e7\u00e3o s\u00e3o as leveduras espec\u00edficas pra esse tipo de atividade bioqu\u00edmica\u201d, explica Valdail dal Pizzol, qu\u00edmico da empresa.<\/p>\n<p>As leveduras s\u00e3o microorganismos da pr\u00f3pria cana. O processo de fermenta\u00e7\u00e3o dura entre 18 e 24 horas. Depois disso, o produto est\u00e1 pronto para a destila\u00e7\u00e3o, que acontece em um alambique de cobre.<\/p>\n<p>\u201cO caldo de cana vem fermentado, primeiramente, para o pr\u00e9-aquecedor, a uma temperatura de 75 graus, e depois disso para o destilador, que \u00e9 um alambique de cobre, onde esse caldo vai ser aquecido a uma temperatura de 92 graus. Dele sai a cacha\u00e7a em forma de vapor, pelo pr\u00e9-aquecedor e por \u00faltimo para o resfriador, onde a cacha\u00e7a vai sair em forma de l\u00edquido\u201d, explica Jos\u00e9 Welter, mestre alambiqueiro.<\/p>\n<p>Por dia, a empresa produz quase dois mil litros de cacha\u00e7a, mas nem tudo isso \u00e9 aproveitado: 20% do total s\u00e3o separados. S\u00e3o as chamadas cacha\u00e7as de cabe\u00e7a e de calda. \u201cA primeira parte que \u00e9 a cabe\u00e7a, tem o teor alco\u00f3lico de 70 at\u00e9 60. Depois vem a parte do cora\u00e7\u00e3o que \u00e9 dos 60 at\u00e9 o 40 de teor alco\u00f3lico. E abaixo de 40 \u00e9 a parte da calda\u201d, diz Evandro Weber.<br \/>\nA destilaria produz 1600 litros de cacha\u00e7a de cora\u00e7\u00e3o por dia. Parte dela, vendida como cacha\u00e7a branca, vai descansar em tanques de inox, por pelo menos um ano. O restante segue para o processo de envelhecimento em barris de madeira.<\/p>\n<p>\u201cO processo de envelhecimento \u00e9 o processo que vai dar \u00e0 bebida melhor qualidade. Primeira coisa: como a madeira permeia oxig\u00eanio, vai haver uma modifica\u00e7\u00e3o e forma\u00e7\u00e3o de compostos, principalmente \u00e9steres, que d\u00e3o o bouquet \u00e0 bebida. Outra grande modifica\u00e7\u00e3o \u00e9 a absor\u00e7\u00e3o pela bebida destilada, dos \u00f3leos essenciais das madeiras onde a bebida foi colocada pra descansar. Cada madeira utilizada vai emprestar uma cor, um sabor e um aroma caracter\u00edstico \u00e0quela madeira\u201d, explica o qu\u00edmico Erwin Weinmann.<\/p>\n<p>Weinmann conta que a diversidade da flora nativa do Brasil, tamb\u00e9m nos d\u00e1 uma grande variedade de madeiras que enobrecem a cacha\u00e7a: \u201cN\u00f3s temos mais de 25 madeiras cadastradas e em condi\u00e7\u00f5es de envelhecer bebidas\u201d.<\/p>\n<p>O produtor ainda pode misturar essas bebidas diferentes para fazer blends. Weinmann explica como descobrir se uma cacha\u00e7a \u00e9 boa ou n\u00e3o. \u201cA primeira \u00e9 a transpar\u00eancia da cacha\u00e7a, ela n\u00e3o pode estar turva. O que a gente v\u00ea s\u00e3o as l\u00e1grimas que ela forma, a untuosidade da cacha\u00e7a. Ela tem que estar untuosa e fazer algumas l\u00e1grimas ao redor da ta\u00e7a\u201d.<\/p>\n<p>Quanto mais tempo dentro do barril, melhor a bebida. No alambique existem cacha\u00e7as envelhecidas de 1 a 12 anos. As melhores s\u00e3o engarrafadas em um processo bem artesanal, com r\u00f3tulos e lacres colocados um a um, manualmente.<\/p>\n<p>H\u00e1 um investimento muito grande na apresenta\u00e7\u00e3o das cacha\u00e7as. Inclusive, uma variedade enorme de garrafas e uma ainda mais especial, feita em comemora\u00e7\u00e3o aos 65 anos da empresa, cujo r\u00f3tulo \u00e9 folhado a ouro. \u201cA gente faz o nosso pr\u00f3prio molde de garrafa, registra como patente esses moldes, e nenhuma outra cacha\u00e7aria pode usar esse molde porque \u00e9 de propriedade intelectual nossa\u201d, conta Evandro Weber.<\/p>\n<p>A empresa produz por ano 250 mil litros de cacha\u00e7a e com tanto investimento e capricho, esse \u00e9 um produto valorizado no mercado. O pre\u00e7o varia de 50 a 2700 reais a garrafa.<br \/>\nNo entanto, para chegar nesse ponto, foi preciso muito investimento. \u201cNa estrutura n\u00f3s estamos investindo, cada ano, praticamente um milh\u00e3o. Em m\u00e9dia, o custo para produzir um litro de cacha\u00e7a varia de 20 at\u00e9 500 reais\u201d, declara Evandro Weber.<\/p>\n<p>Hoje, quase 40% da produ\u00e7\u00e3o \u00e9 exportada. Denise Holler \u00e9 a gerente de exporta\u00e7\u00e3o da empresa. \u201cExportamos para a Am\u00e9rica, Europa e \u00c1sia. O estrangeiro gosta de cacha\u00e7a quando ele sabe o que \u00e9 a bebida\u201d, afirma.<\/p>\n<p>Gary Qing veio da China ao Brasil, especialmente para conhecer a cacha\u00e7aria e ficou impressionado: \u201c\u00c9 muito bacana. Muito bonito. O processo \u00e9 limpo, parece muito bom\u201d, diz. Gary quer levar a cacha\u00e7a brasileira pra China. \u201cN\u00f3s viemos aqui para comprar. Eu acredito que temos um bom mercado para essa bebida na China\u201d, afirma.<\/p>\n<p>Fazendo sucesso mundo afora, a cacha\u00e7a Weber hoje garante o sustento de cinco fam\u00edlias. Evandro Weber afirma que al\u00e9m de ganhar dinheiro, aqui se trabalha pra dar \u00e0 bebida t\u00edpica do Brasil o reconhecimento que ela merece: \u201cAcho que \u00e9 um produto nosso, n\u00f3s temos que valorizar e n\u00f3s vamos levantar a bandeira da cacha\u00e7a e vamos chegar a dizer: cacha\u00e7a com muito orgulho\u201d, declara Evandro Weber.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>No ranking das bebidas destiladas, cacha\u00e7a \u00e9 a terceira mais consumida. Produ\u00e7\u00e3o movimenta mais de R$ 7 bilh\u00f5es por ano no Brasil. O segmento das cacha\u00e7as especiais vem ganhando espa\u00e7o dentro e fora do pa\u00eds. Elas s\u00e3o feitas de forma artesanal, em pequenas quantidades. 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