{"id":426,"date":"2013-12-21T14:40:54","date_gmt":"2013-12-21T14:40:54","guid":{"rendered":"http:\/\/copacesp.com.br\/?p=426"},"modified":"2013-12-21T14:40:54","modified_gmt":"2013-12-21T14:40:54","slug":"2014-mais-um-ano-para-andar-de-lado","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/copacesp.com.br\/?p=426","title":{"rendered":"2014: MAIS UM ANO PARA ANDAR DE LADO"},"content":{"rendered":"<p><i>Telmo Schoeler (*)<\/i><\/p>\n<p>Como estamos no limiar de um novo ano, empresas e gestores est\u00e3o todos com os perisc\u00f3pios levantados no esfor\u00e7o de enxergar o que vem pela frente, o que fazer e como se posicionar. No meu entender, salvo para algumas empresas e setores pontualmente beneficiados, 2014 ser\u00e1 um ano para andar de lado, o que, diante das nossas potencialidades desperdi\u00e7adas e de oportunidades pelo mundo, significar\u00e1 mais um ano perdido.<\/p>\n<p>Para entender porque, precisamos olhar para dentro e para fora do pa\u00eds. Internamente, pelo menos quatro fatores continuar\u00e3o deixando a desejar: a infla\u00e7\u00e3o cr\u00f4nica, a assimetria entre as pol\u00edticas monet\u00e1ria e fiscal, o aumento do d\u00e9ficit p\u00fablico e a deteriora\u00e7\u00e3o das contas externas, sem perspectivas de mudan\u00e7a por serem atreladas ao modelo pol\u00edtico-econ\u00f4mico vigente. No cen\u00e1rio internacional, estamos diante da recupera\u00e7\u00e3o e melhoria dos Estados Unidos, dos principais pa\u00edses europeus e da pr\u00f3pria China. E, dentro dessa mesma perspectiva, em decorr\u00eancia do somat\u00f3rio dessas realidades interna e externa, estamos diante da piora na percep\u00e7\u00e3o da economia brasileira. Fatos e percep\u00e7\u00f5es estar\u00e3o contra n\u00f3s, o que n\u00e3o se reverte apenas com discursos ou promessas, raz\u00e3o pela qual s\u00e3o vis\u00edveis no horizonte, a) o rebaixamento do rating de risco brasileiro, b) a aprecia\u00e7\u00e3o do d\u00f3lar e c) a diminui\u00e7\u00e3o do fluxo de investimento direto e n\u00e3o especulativo.<\/p>\n<p>Importa\u00e7\u00f5es perder\u00e3o a conveni\u00eancia e as exporta\u00e7\u00f5es tender\u00e3o a ser favorecidas, o que parece positivo, embora se imponha uma an\u00e1lise mais profunda. A desindustrializa\u00e7\u00e3o e falta de investimentos dos \u00faltimos anos aumentaram em muito a depend\u00eancia de insumos importados, o que far\u00e1 com que a subida do d\u00f3lar tenha um impacto direto nos custos, por decorr\u00eancia, nos pre\u00e7os e, portanto, na infla\u00e7\u00e3o. Esta, sendo crescente, obrigar\u00e1 o governo a elevar a taxa de juro, com reflexos de aumento nos custos financeiros das empresas e de diminui\u00e7\u00e3o na capacidade de consumo da popula\u00e7\u00e3o, pois, mesmo que continue a pol\u00edtica de concess\u00e3o de reajustes do sal\u00e1rio m\u00ednimo acima da infla\u00e7\u00e3o, os pre\u00e7os reais subir\u00e3o mais do que isso. Em s\u00edntese, a balan\u00e7a comercial e de pagamentos tender\u00e1 a ser pouco favorecida pelo comportamento do d\u00f3lar em alta, embora, evidentemente, o agroneg\u00f3cio, as commodities e os min\u00e9rios dever\u00e3o ser beneficiados.<\/p>\n<p>Pode ser esperada a continuidade da pol\u00edtica de fomento ao consumo via subs\u00eddios, benef\u00edcios, bolsas ou mesmo desonera\u00e7\u00f5es tribut\u00e1rias pontuais para produtos ou setores espec\u00edficos, mas seu uso retroalimentar\u00e1 negativamente os fatores internos e externos que nos afligem. A obrigat\u00f3ria subida dos juros ter\u00e1 como efeitos: 1) retra\u00e7\u00e3o do consumo pelo encarecimento do cr\u00e9dito; 2) acelera\u00e7\u00e3o do esgotamento da capacidade de endividamento das pessoas f\u00edsicas; 3) aumento das taxas de inadimpl\u00eancia; 4) maior dificuldade de tomada de cr\u00e9dito, por \u00f3bvios crit\u00e9rios de maior seletividade por parte dos bancos.<\/p>\n<p>O cl\u00e1ssico efeito tesoura far\u00e1 com que empresas tenham uma tend\u00eancia a margens e resultados decrescentes. Por decorr\u00eancia, a Bolsa de Valores dever\u00e1, na melhor das hip\u00f3teses, andar de lado. Quem depender de investimentos governamentais n\u00e3o poder\u00e1 esperar revers\u00e3o da lentid\u00e3o ou atraso de obras, pois n\u00e3o haver\u00e1 recursos suficientes para cumprir cronogramas.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Toda essa realidade aponta para uma performance pouco satisfat\u00f3ria do com\u00e9rcio, em decorr\u00eancia do endividamento das fam\u00edlias ter atingido seu limite. Se somarmos essas duas constata\u00e7\u00f5es, que j\u00e1 s\u00e3o um fato, veremos que consumidores que compraram al\u00e9m da conta est\u00e3o recorrendo ao cr\u00e9dito pessoal \u2013 com tradicionais taxas altas \u2013 para liquidar suas d\u00edvidas, o que faz antever um aumento da inadimpl\u00eancia. O esgotamento da capacidade popular de tomada de cr\u00e9dito est\u00e1 tamb\u00e9m j\u00e1 demonstrado no decrescente uso de recursos do pr\u00f3prio programa \u201cNossa Casa Melhor\u201d.<\/p>\n<p>Para aquela parcela de brasileiros eternamente otimistas que acham que a Copa da FIFA trar\u00e1 uma inje\u00e7\u00e3o de \u00e2nimo nos neg\u00f3cios, um alerta: ela poder\u00e1 favorecer, pontual e limitadamente, hot\u00e9is, companhias de avia\u00e7\u00e3o e restaurantes, al\u00e9m de impulsionar cervejas e televisores. Mas n\u00e3o ser\u00e1 boa para o varejo em geral, pelo fechamento de lojas, feriados, dispers\u00e3o de aten\u00e7\u00e3o, gastos com ingressos e correlatos etc. Como disse um empres\u00e1rio do ramo: \u201cningu\u00e9m compra um t\u00eanis novo para assistir um jogo\u201d. Sem falar que o t\u00e9rmino das obras que forem terminadas para a Copa jogar\u00e1 no mercado uma substancial for\u00e7a de trabalho que n\u00e3o necessariamente encontrar\u00e1 novas oportunidades.<\/p>\n<p>Toda essa realidade mostra que o ano entrante ter\u00e1 mais um pibinho com evolu\u00e7\u00e3o p\u00edfia rondando os 2%, como tem sido os \u00faltimos, muito longe de uma evolu\u00e7\u00e3o m\u00ednima de 4% a 5% que seria necess\u00e1ria para manter esta nave pelo menos estabilizada, ainda que n\u00e3o pujante.<\/p>\n<p>O cen\u00e1rio ser\u00e1 dif\u00edcil para as empresas endividadas e com estruturas de capital desbalanceadas. Epis\u00f3dios como os do desmoronamento do Grupo X (Eike), mesmo que decorrentes de menor pirotecnia, poder\u00e3o se repetir. Os erros de governan\u00e7a, planejamento, gest\u00e3o e falta de realismo econ\u00f4mico, mais do que nunca mostrar\u00e3o sua cara. Por isso, podemos esperar crescente n\u00famero de recupera\u00e7\u00f5es judiciais e fal\u00eancias, com todos os efeitos da\u00ed decorrentes.<\/p>\n<p>Diante disso, e em s\u00edntese, cabem as seguintes recomenda\u00e7\u00f5es \u00e0s empresas:<\/p>\n<p>\u00f0\u00a0 Seja mais conservador do que nunca e preserve sua liquidez;<\/p>\n<p>\u00f0\u00a0 Postergue investimentos e decis\u00f5es n\u00e3o essenciais;<\/p>\n<p>\u00f0\u00a0 Fique atento para boas oportunidades de aquisi\u00e7\u00f5es, pois muitas empresas ter\u00e3o problemas, oportunizando ativos a baixos pre\u00e7os;<\/p>\n<p>\u00f0\u00a0 Evite e reduza o endividamento;<\/p>\n<p>\u00f0\u00a0 Se mesmo assim precisar de cr\u00e9dito, os bancos oficiais tender\u00e3o a ser melhores alternativas;<\/p>\n<p>\u00f0\u00a0 Caso recursos de longo prazo forem necess\u00e1rios, deb\u00eantures tender\u00e3o a ser uma boa alternativa, inclusive porque investidores internacionais ser\u00e3o atra\u00eddos por taxas crescentes no Brasil;<\/p>\n<p>\u00f0\u00a0 N\u00e3o conte com investidores de capital de risco: ser\u00e1 dif\u00edcil ach\u00e1-los, salvo em condi\u00e7\u00f5es desinteressantes de des\u00e1gio influenciadas pelo cen\u00e1rio brasileiro.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><strong><img decoding=\"async\" loading=\"lazy\" class=\"alignleft size-medium wp-image-427\" alt=\"telmo-schoeler\" src=\"http:\/\/copacesp.com.br\/wp-content\/uploads\/2013\/12\/telmo-schoeler-300x225.jpg\" width=\"300\" height=\"225\" srcset=\"https:\/\/copacesp.com.br\/wp-content\/uploads\/2013\/12\/telmo-schoeler-300x225.jpg 300w, https:\/\/copacesp.com.br\/wp-content\/uploads\/2013\/12\/telmo-schoeler.jpg 900w\" sizes=\"(max-width: 300px) 100vw, 300px\" \/>(*) Telmo Schoeler<\/strong> \u00e9 s\u00f3cio-fundador e Leading Partner da Strategos &#8211; Strategy &amp; Management, fundador e coordenador da Orchestra &#8211; Solu\u00e7\u00f5es Empresariais, a primeira e maior rede de organiza\u00e7\u00f5es multidisciplinares de assessoria em gest\u00e3o empresarial. Possui 47 anos de pr\u00e1tica profissional, metade exercendo fun\u00e7\u00f5es executivas de diretoria e presid\u00eancia de empresas nacionais e estrangeiras.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Telmo Schoeler (*) Como estamos no limiar de um novo ano, empresas e gestores est\u00e3o todos com os perisc\u00f3pios levantados no esfor\u00e7o de enxergar o que vem pela frente, o que fazer e como se posicionar. 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