{"id":772,"date":"2014-02-19T00:51:49","date_gmt":"2014-02-19T00:51:49","guid":{"rendered":"http:\/\/copacesp.com.br\/?p=772"},"modified":"2014-02-19T00:51:49","modified_gmt":"2014-02-19T00:51:49","slug":"entrevista-do-pesquisador-e-fundador-da-empresa-brasileira-de-pesquisa-agropecuaria-embrapa-eliseu-alves","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/copacesp.com.br\/?p=772","title":{"rendered":"Entrevista do pesquisador e fundador da Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecu\u00e1ria (Embrapa), Eliseu Alves"},"content":{"rendered":"<p>Mat\u00e9ria sobre a entrevista do pesquisador e fundador da Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecu\u00e1ria (Embrapa), Eliseu Alves, ao programa de TV da Embrapa e NBR Conex\u00e3o Ci\u00eancia<\/p>\n<p>H\u00e1 d\u00e9cadas, a agropecu\u00e1ria \u00e9 um dos setores mais rent\u00e1veis para economia brasileira. Mas n\u00e3o foi sempre assim. At\u00e9 os anos 60 se produzia muito pouco e o pre\u00e7o dos alimentos s\u00f3 aumentavam. A mudan\u00e7a teve in\u00edcio com o conhecimento gerado pela pesquisa e aplicado na agricultura e na pecu\u00e1ria.<\/p>\n<p><b>O conhecimento foi e continua sendo a diferen\u00e7a para a agricultura?<\/b><\/p>\n<p><b>Eliseu Alves &#8211; <\/b>\u00c9 n\u00e3o s\u00f3 aqui no Brasil como no mundo inteiro, conhecimento \u00e9 o fundamento, \u00e9 a pedra que move a agricultura brasileira, e a gente tem que entender que a agricultura sempre foi baseada em conhecimento; no passado, esse conhecimento foi gerado pelos pr\u00f3prios agricultores, pelos seus conhecimentos desde os tempos do imp\u00e9rio romano. Os fazendeiros daquela \u00e9poca j\u00e1 faziam experimento de melhoramento de animais, de plantas e etc, mas o conhecimento organizado em institui\u00e7\u00f5es, cientificamente produzido, esse conhecimento \u00e9 da d\u00e9cada de 40 para c\u00e1 do ponto de vista de aplica\u00e7\u00e3o, os princ\u00edpios s\u00e3o dos anos de 1850, mas a aplica\u00e7\u00e3o desse conhecimento \u00e9 da d\u00e9cada de 40 para c\u00e1, e em larga escala, come\u00e7ando pelos Estados Unidos, Europa, Jap\u00e3o e em 1970 chegando aqui no Brasil.<\/p>\n<p><b>E como esse conhecimento cient\u00edfico come\u00e7ou a ser constru\u00eddo aqui no Brasil, principalmente com aplica\u00e7\u00e3o na agricultura ?<\/b><\/p>\n<p><b>Eliseu Alves <\/b>\u2013 Primeiro tem a experi\u00eancia de S\u00e3o Paulo, que \u00e9 anterior, de 1860, que teve um fundamento muito importante na constru\u00e7\u00e3o da Embrapa, tem as experi\u00eancias dos institutos que a Embrapa absorveu e dos produtores, que tamb\u00e9m foram muito importantes, geraram, do per\u00edodo do descobrimento para c\u00e1, muito conhecimento. Agora, o conhecimento cientificamente organizado em massa, aplicado com muito recurso do governo federal e dos governos estaduais \u00e9 de 1970 para c\u00e1, principalmente.<\/p>\n<p><b>Por isso que foi necess\u00e1rio enviar pesquisadores para adquirir mais conhecimento?<\/b><\/p>\n<p><b>Eliseu Alves <\/b>\u2013 Havia uma crise de alimentos em meados da d\u00e9cada de 60 e o Brasil estava acumulando uma d\u00edvida externa muito grande, ent\u00e3o, naquele per\u00edodo, os militares resolveram apoiar a agricultura e criar um grupo para estudar esse assunto; foi descoberto nessa ocasi\u00e3o que o problema b\u00e1sico para o Brasil era a falta de conhecimentos moderno na agricultura brasileira. Conhecimentos tradicionais n\u00f3s t\u00ednhamos aqui, a gente sabia muito bem cultivar a terra, sabia utilizar a m\u00e3o de obra etc, mas, conhecimentos gerados pela ci\u00eancia,a gente s\u00f3 tinha a experi\u00eancia de S\u00e3o Paulo, do Rio Grande do Sul, insuficiente para o Brasil todo.<\/p>\n<p><b>E como foi aplicar esse conhecimento moderno \u00e0 realidade brasileira?<\/b><\/p>\n<p><b>Eliseu Alves<\/b> \u2013 Duas coisas, primeiramente o seguinte: voc\u00ea s\u00f3 aplica o que foi gerado, a gente s\u00f3 aplica o conhecimento que foi produzido, e os conhecimentos produzidos evidentemente tem que chegar \u00e0s m\u00e3os dos agricultores. Quem produz \u00e9 agricultor, nunca vamos perder isso de vista. O que o agricultor faz? Pega os conhecimentos do mundo inteiro, do Brasil, dos seus colegas produtores, das institui\u00e7\u00f5es de ci\u00eancia do Brasil, montam um sistema de produ\u00e7\u00e3o para produzir alguns produtos que ele quer, milho, soja, arroz e etc, monta esse conhecimento, compra os insumos, financia a produ\u00e7\u00e3o, obt\u00e9m a produ\u00e7\u00e3o e vende, ou seja, tem o conhecimento. O agricultor transforma conhecimento em tecnologia e a tecnologia produz os produtos que transformaram o Brasil num grande exportador e que abastece muito bem a sua popula\u00e7\u00e3o, ricos e pobres.<\/p>\n<p><b>E o acesso a esse conhecimento \u00e9 f\u00e1cil tanto para o pequeno quanto para o grande agricultor ou produtor?<\/b><\/p>\n<p><b>Eliseu Alves <\/b>\u2013 O pequeno produtor tem mais dificuldade do que o grande produtor no seguinte sentido, a pequena produ\u00e7\u00e3o enfrenta problemas com imperfei\u00e7\u00f5es no mercado, vende por um pre\u00e7o mais barato, compra insumos por um pre\u00e7o mais caro, tem problemas em obter cr\u00e9dito, de um modo geral essas coisas s\u00e3o externas \u00e0 produ\u00e7\u00e3o, uma vez o conhecimento chegado l\u00e1 no produtor e ele tendo condi\u00e7\u00f5es de financiar adequadamente a sua produ\u00e7\u00e3o, porque ele hoje j\u00e1 conta com uma ajuda grande do governo, que \u00e9 o PRONAF e vai contar tamb\u00e9m com uma ajuda ainda maior da ag\u00eancia de extens\u00e3o rural que est\u00e1 sendo criada pela presidente Dilma. Ent\u00e3o, hoje em dia, eu acredito que essas dificuldades que eu mencionei que o pequeno produtor tem est\u00e3o desaparecendo, e os pequenos produtores, que muitos deles j\u00e1 adotam tecnologias e produzem muito, v\u00e3o seguir a mesma trilha dos m\u00e9dios e grandes produtores.<\/p>\n<p><b>Em rela\u00e7\u00e3o \u00e0 inova\u00e7\u00e3o tecnol\u00f3gica, ela pode ser inserida nesse contexto? O que seria a inova\u00e7\u00e3o tecnol\u00f3gica?<\/b><\/p>\n<p><b>Eliseu Alves<\/b> \u2013 Quando voc\u00ea fala em inova\u00e7\u00e3o tecnol\u00f3gica, voc\u00ea est\u00e1 falando de agricultor. A inova\u00e7\u00e3o tecnol\u00f3gica \u00e9 o agricultor que faz, ele que produz tecnologia nova, mas ele n\u00e3o gera conhecimento. A diferen\u00e7a est\u00e1 nisso, ele n\u00e3o gera conhecimento, a n\u00e3o ser em casos excepcionais. Ele pega o conhecimento, transforma esse conhecimento em tecnologia &#8211; \u00a0toda vez que ele faz isso, a gente tem uma inova\u00e7\u00e3o tecnol\u00f3gica.<\/p>\n<p><b>Ent\u00e3o a gente pode dizer que as nossas institui\u00e7\u00f5es n\u00e3o fazem inova\u00e7\u00e3o, quem faz \u00e9 o agricultor?<\/b><\/p>\n<p><b>Eliseu Alves<\/b> \u2013 N\u00f3s fazemos inova\u00e7\u00e3o dentro de n\u00f3s mesmos para poder ser mais eficientes na gera\u00e7\u00e3o de conhecimento, as inova\u00e7\u00f5es que a gente tem. A Embrapa \u00e9 uma grande inova\u00e7\u00e3o institucional. N\u00e3o tinha uma institui\u00e7\u00e3o de pesquisa aqui no Brasil. Isso foi uma grande inova\u00e7\u00e3o tecnol\u00f3gica, mas por que essa inova\u00e7\u00e3o tecnol\u00f3gica foi feita no caso da Embrapa? Para aumentar a efici\u00eancia da pesquisa brasileira em n\u00edvel do governo federal, ent\u00e3o as institui\u00e7\u00f5es produzem inova\u00e7\u00e3o, mas quem transforma esses conhecimentos gerados em tecnologia s\u00e3o os agricultores, ent\u00e3o quem faz a inova\u00e7\u00e3o em n\u00edvel de propriedade, em n\u00edvel de agricultura s\u00e3o os agricultores, e \u00e9 muito importante que esses agricultores sejam competentes, bem treinados, bem informados com capacidade de se ligar no mundo inteiro, n\u00e3o s\u00f3 aqui no Brasil e nos principais mercados, mas no mundo inteiro.<\/p>\n<p><strong>E como est\u00e1 a situa\u00e7\u00e3o hoje dos nossos agricultores em rela\u00e7\u00e3o a outros pa\u00edses, como os Estados Unidos por exemplo?<\/strong><\/p>\n<p><strong>Eliseu Alves <\/strong>\u2013 Por incr\u00edvel que pare\u00e7a, voc\u00ea acredita que n\u00e3o tem diferen\u00e7a! Eu tenho falado muito que a produ\u00e7\u00e3o brasileira est\u00e1 muito concentrada Para voc\u00ea ter uma ideia, no censo de 2003, 500 produtores em quatro milh\u00f5es e quatrocentos produziram 86% da produ\u00e7\u00e3o Brasileira e 27 mil produtores produziram 51% dessa produ\u00e7\u00e3o, ent\u00e3o ela est\u00e1 muito concentrada. Eu fiquei muito preocupado e fui ver como isso \u00e9 nos Estados Unidos e Europa. Acabei descobrindo que l\u00e1 a produ\u00e7\u00e3o est\u00e1 t\u00e3o concentrada como aqui, ou seja, a tecnologia tem um grande poder de concentrar a produ\u00e7\u00e3o, e esses estudos que n\u00f3s fizemos na Embrapa mostram basicamente que a tecnologia \u00e9 o motor da produ\u00e7\u00e3o brasileira, \u00e9 quem aumenta a produ\u00e7\u00e3o e \u00e9 tamb\u00e9m quem concentra a produ\u00e7\u00e3o. Agora a sociedade tem que encontrar caminhos para isso, e por isso o governo est\u00e1 criando essa ag\u00eancia de extens\u00e3o rural, para poder dar a chance para que os pequenos sejam capazes de sombrear com os grandes produtores, e eu n\u00e3o estou falando grandes de terra no meio de 100 hectares para baixo. Tem muito grande produtor, muita gente que produz uma alta quantidade de gr\u00e3os, hortali\u00e7as, frutas e etc, isso n\u00e3o tem mais import\u00e2ncia, quem explica essa concentra\u00e7\u00e3o \u00e9 a tecnologia.<\/p>\n<p><strong>Ent\u00e3o o papel do pequeno \u00e9 muito importante, n\u00e3o \u00e9?<\/strong><\/p>\n<p><strong>Eliseu Alves <\/strong>\u2013 \u00c9 claro, sempre foi muito importante, aqui no Brasil e no mundo inteiro,tanto que esse programa de agricultura familiar, \u00e9 um programa de natureza mundial. Todo pa\u00eds d\u00e1 uma \u00eanfase enorme \u00e0 agricultura familiar, porque quer evitar que a produ\u00e7\u00e3o no seu pa\u00eds concentre em alguns milhares de produtores, e se deixar por conta do mercado, n\u00f3s vamos terminar com 50 a 100 mil produtores, n\u00e3o mais do que isso, ent\u00e3o \u00e9 importante que se reconhe\u00e7a isso, e o governo brasileiro reconheceu isso, no sentido de criar condi\u00e7\u00f5es para que os pequenos produtores que quiserem se modernizar tenham condi\u00e7\u00e3o de fazer isso.<\/p>\n<p><strong>E a ANATER vai ser um facilitador para isso?<\/strong><\/p>\n<p><strong>Eliseu Alves <\/strong>\u2013 A ANATER est\u00e1 sendo criada com esse objetivo, de dar igualdade de conhecimento, de tecnologia, de ado\u00e7\u00e3o de tecnologia para os pequenos produtores brasileiros. Com isso, a gente pode dar a entender que n\u00e3o foi feito nada no passado, claro que foi feita muita coisa no passado. Eu mesmo entrei na extens\u00e3o rural em 1955 e entrei s\u00f3 para trabalhar com pequeno produtor. A ACA de Minas nesse tempo, onde eu fiz minha carreira inicial, s\u00f3 trabalhava com pequenos produtores, ent\u00e3o essa ideia de trabalhar com pequenos produtores \u00e9 velha aqui no Brasil, mas \u00e9 uma coisa complicada porque os grandes pa\u00edses, como Estados Unidos, Canad\u00e1 e Europa n\u00e3o conseguiram resolver isso at\u00e9 hoje<\/p>\n<p><strong>Como manter esse crescimento e esse sucesso, os bons n\u00fameros que a agricultura brasileira continua gerando para a economia?<\/strong><\/p>\n<p><strong>Eliseu Alves <\/strong>\u2013 A gente tem que entender que a economia brasileira \u00e9 aberta, ou seja, n\u00f3s estamos competindo com o mundo inteiro, e todo mundo que vender para os chineses, para os indianos, para os Estados Unidos e para os lugares que t\u00eam demanda de alimentos. Os Estados Unidos e Europa tamb\u00e9m querem fazer a mesma coisa, ent\u00e3o a \u00fanica forma de voc\u00ea sobreviver nesse mercado extremamente competitivo \u00e9 investir em conhecimento, e esse investimento em conhecimento tem duas dimens\u00f5es: uma parte do setor p\u00fablico, extremamente importante e uma parte do setor privado, que est\u00e1 chegando agora no Brasil com investimento em pesquisas. O setor p\u00fablico tem uma tradi\u00e7\u00e3o maior e tem que continuar a investir, e isso \u00e9 importante n\u00e3o s\u00f3 para o governo federal, que n\u00e3o est\u00e1 falhando nesse respeito. Ele est\u00e1 cumprindo com seu papel, mas sobretudo para os governos estaduais que tem que apoiar os seus institutos de pesquisa.<\/p>\n<p><strong>E em rela\u00e7\u00e3o ao passado? Como est\u00e1 a produ\u00e7\u00e3o do conhecimento hoje? Ela est\u00e1 na mesma intensidade do passado?<\/strong><\/p>\n<p><strong>Eliseu Alves <\/strong>\u2013 No caso da Embrapa, ela tem aumentado a sua produ\u00e7\u00e3o de conhecimento, ela n\u00e3o diminui, tem muita conversa nessa dire\u00e7\u00e3o, mas \u00e9 uma conversa equivocada, o pessoal da Embrapa continua estudando no exterior, entrou um grande n\u00famero de novos pesquisadores j\u00e1 com doutorados e mestrados, principalmente doutorado, que est\u00e3o sendo treinados e incorporados. A Embrapa \u00e9 uma institui\u00e7\u00e3o din\u00e2mica, ela n\u00e3o entrou numa fase de sucesso e da\u00ed para frente entrou em decl\u00ednio. N\u00f3s n\u00e3o estamos em uma marcha para aumentar a nossa produtividade e a nossa produ\u00e7\u00e3o, e a mesma coisa est\u00e1 acontecendo com as universidades, que hoje s\u00e3o excelentes, e o setor privado \u00e9 extremamente din\u00e2mico tamb\u00e9m no Brasil.<\/p>\n<p><strong>Esse trabalho em rede que a Embrapa coordena do sistema nacional de pesquisa agropecu\u00e1ria dessas institui\u00e7\u00f5es tem sido tamb\u00e9m fundamental para alavancar mais ainda esse conhecimento?<\/strong><\/p>\n<p><strong>Eliseu Alves <\/strong>\u2013 Tem exemplos muito bem-sucedidos como a rede do caf\u00e9. Estamos entrando na rede de energia, e no passado tivemos um sucesso muito grande com as institui\u00e7\u00f5es estaduais, que continua hoje. Mas acontece que os governos estaduais reduziram o financiamento para pesquisas estaduais, isso est\u00e1 criando alguns problemas, mas eu tenho certeza que eles ser\u00e3o resolvidos. Ent\u00e3o, a rede do setor p\u00fablico est\u00e1 muito bem formada, e outra coisa importante que a gente tem que real\u00e7ar \u00e9 que o setor p\u00fablico aprendeu a trabalhar junto do setor privado e vice-versa, ent\u00e3o j\u00e1 tem muitos projetos conjuntos da Embrapa com o setor privado, n\u00e3o s\u00f3 aqui do Brasil como do resto do mundo, com as multinacionais e com o mundo inteiro. Ent\u00e3o n\u00f3s aprendemos a trabalhar juntos para o bem do Brasil.<\/p>\n<p><strong>E como \u00e9 a rela\u00e7\u00e3o do agricultor com a pesquisa?<\/strong><\/p>\n<p><strong>Eliseu Alves <\/strong>\u2013 O agricultor est\u00e1 atr\u00e1s do conhecimento. Ele \u00e9 um homem extremamente pr\u00e1tico. Eu sou agricultor, sou produtor de leite, ent\u00e3o o que eu quero saber \u00e9 o que baixa o meu custo de produ\u00e7\u00e3o. Eu estou l\u00e1 para ganhar dinheiro porque eu tenho conta, empregados e impostos para pagar, t\u00eam as responsabilidades com o meio ambiente. Eu n\u00e3o tenho nenhuma influ\u00eancia no pre\u00e7o dos alimentos, nenhum agricultor isolado tem influ\u00eancia no pre\u00e7o dos alimentos, qual a \u00fanica chance que eu tenho? Baixar o meu custo de produ\u00e7\u00e3o, e para isso eu estou atr\u00e1s de novas tecnologias que tenham essa propriedade de ser lucrativa.<\/p>\n<p>Hoje a forma de fazer pesquisa, a gente pode dizer que mudou em rela\u00e7\u00e3o aos anos 70 no in\u00edcio? Ou n\u00e3o?<\/p>\n<p>Eliseu Alves \u2013 Essa pergunta precisa de um pouco de cuidado. Os problemas mudaram. Naquela \u00e9poca, o Brasil tinha uma economia fechada, n\u00e3o tinha competi\u00e7\u00e3o com o resto do mundo, o setor privado n\u00e3o tinha condi\u00e7\u00f5es da fazer pesquisas aqui no Brasil, ent\u00e3o a economia hoje est\u00e1 aberta, n\u00f3s estamos ligados com o mundo inteiro, os problemas s\u00e3o outros, ent\u00e3o esses problemas n\u00f3s estamos enfrentando agora, mas o m\u00e9todo cient\u00edfico n\u00e3o mudou nada.<\/p>\n<p><strong>E quais seriam os principais problemas de hoje?<\/strong><\/p>\n<p><strong>Eliseu Alves <\/strong>\u2013 Eu acho que os problemas principais est\u00e3o ligados, uns com as coisas de hoje, voc\u00ea t\u00eam pragas, doen\u00e7as que est\u00e3o atacando a nossa agricultura, a competi\u00e7\u00e3o internacional que eu j\u00e1 me referi muitas vezes aqui que a gente tem que baixar custos, tem problema no caf\u00e9, trigo, n\u00f3s precisamos de transformar o Brasil num grande produtor de trigo, ainda dependemos muito de importa\u00e7\u00f5es. Algod\u00e3o, n\u00f3s temos o problema do Nordeste, e o problema dos pequenos agricultores, os que ficaram \u00e0 margem da moderniza\u00e7\u00e3o da agricultura, s\u00e3o numerosos, milh\u00f5es, ent\u00e3o esses s\u00e3o os principais problemas, e a pesquisa brasileira est\u00e1 antenada nesses problemas, procurando utilizar do talento, que hoje o talento \u00e9 muito maior, n\u00f3s temos uma quantidade muito maior de pesquisadores talentosos na Embrapa, nos institutos, nas universidades, e esse povo est\u00e1 a\u00ed para ajudar o Brasil a resolver os problemas da agricultura.<\/p>\n<p><strong>D\u00e1 um exemplo do que est\u00e1 sendo feito hoje de algum desses problemas que o senhor citou<\/strong><\/p>\n<p><strong>Eliseu Alves <\/strong>\u2013 Eu vou citar um problema torto que tem a\u00ed, uma praga da soja que se chama ferrugem da soja. Essa ferrugem da soja n\u00e3o tem s\u00f3 aqui no Brasil, tem em outros pa\u00edses tamb\u00e9m. Ela \u00e9 muito resistente \u00e0 gen\u00e9tica, \u00e0 cria\u00e7\u00e3o de novas cultivares, e n\u00e3o se conseguiu criar uma nova cultivar que fosse capaz de resolver esse problema. Ent\u00e3o, a Embrapa, por exemplo, descobriu que tem um sapo que tem um pept\u00eddio que mata essa ferrugem, ent\u00e3o os pesquisadores da Embrapa est\u00e3o tentando pegar o gene desse pept\u00eddio e levar para a soja, j\u00e1 est\u00e3o muito adiantados com isso, e isso \u00e9 uma coisa de pesquisa de ponta e t\u00eam milhares de quest\u00f5es que n\u00e3o s\u00e3o do porte dessa, mas est\u00e3o sendo resolvidos. Uma outra que eu vou te dar um exemplo \u00e9 um caso j\u00e1 resolvido, tem um v\u00edrus que ataca o feij\u00e3o e que \u00e9 mortal, esse v\u00edrus d\u00e1 na soja mas n\u00e3o d\u00e1 no feij\u00e3o, e tem uma mosca que pica a soja e transfere o v\u00edrus para o feij\u00e3o, ele acaba com a lavoura do feij\u00e3o. A Embrapa j\u00e1 desenvolveu por essas t\u00e9cnicas de engenharia gen\u00e9tica uma cultivar de feij\u00e3o que \u00e9 resistente a essa doen\u00e7a, e coisas pequenas na \u00e1rea do leite, na \u00e1rea do arroz, do feij\u00e3o, em todas as \u00e1reas que a Embrapa e as universidades est\u00e3o metidas, est\u00e3o acontecendo no mundo inteiro, inclusive a iniciativa particular est\u00e1 fazendo muita coisa nessa \u00e1rea.<\/p>\n<p><strong>Ent\u00e3o, o que n\u00f3s podemos esperar para o futuro da agricultura brasileira?<\/strong><\/p>\n<p><strong>Eliseu Alves <\/strong>\u2013 O futuro da agricultura brasileira depende de pesquisa e de muitas outras coisas tamb\u00e9m, depende de ter uma macroeconomia est\u00e1vel aqui no Brasil, essa macroeconomia est\u00e1vel, que \u00e9 o que n\u00f3s temos vivido nesses 20 anos, \u00e9 extremamente importante para o sucesso da nossa agricultura. Se essa macroeconomia se transformar em inst\u00e1vel, se a infla\u00e7\u00e3o voltar e o governo come\u00e7ar a intervir na agricultura brasileira, como a da Argentina, da Bol\u00edvia e de outros pa\u00edses, que est\u00e3o fazendo isso, n\u00f3s temos a capacidade de instruir toda essa experi\u00eancia que est\u00e1 vencendo a\u00ed. Mas eu tenho certeza que os pol\u00edticos brasileiros atingiram a grande maturidade e jamais v\u00e3o deixar acontecer uma coisa dessas aqui no Brasil, no \u00e2mbito do governo da presidente Dilma, evidentemente isso n\u00e3o tem a menor chance de acontecer.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Mat\u00e9ria sobre a entrevista do pesquisador e fundador da Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecu\u00e1ria (Embrapa), Eliseu Alves, ao programa de TV da Embrapa e NBR Conex\u00e3o Ci\u00eancia H\u00e1 d\u00e9cadas, a agropecu\u00e1ria \u00e9 um dos setores mais rent\u00e1veis para economia brasileira. Mas n\u00e3o foi sempre assim. At\u00e9 os anos 60 se produzia muito pouco e o &#8230;<\/p>\n","protected":false},"author":3,"featured_media":773,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":[],"categories":[3],"tags":[48,49],"aioseo_notices":[],"jetpack_featured_media_url":"https:\/\/copacesp.com.br\/wp-content\/uploads\/2014\/02\/entrevista-do-pesquisador-e-fundador-da-embrapa.jpg","_links":{"self":[{"href":"https:\/\/copacesp.com.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/772"}],"collection":[{"href":"https:\/\/copacesp.com.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/copacesp.com.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/copacesp.com.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/users\/3"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/copacesp.com.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fcomments&post=772"}],"version-history":[{"count":1,"href":"https:\/\/copacesp.com.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/772\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":774,"href":"https:\/\/copacesp.com.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/772\/revisions\/774"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/copacesp.com.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/media\/773"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/copacesp.com.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fmedia&parent=772"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/copacesp.com.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fcategories&post=772"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/copacesp.com.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Ftags&post=772"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}