{"id":791,"date":"2014-03-01T16:46:09","date_gmt":"2014-03-01T16:46:09","guid":{"rendered":"http:\/\/copacesp.com.br\/?p=791"},"modified":"2014-03-01T16:46:09","modified_gmt":"2014-03-01T16:46:09","slug":"cautela-no-campo","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/copacesp.com.br\/?p=791","title":{"rendered":"Cautela no Campo"},"content":{"rendered":"<p>As incertezas que ainda travam a economia global e a tend\u00eancia de acomoda\u00e7\u00e3o das cota\u00e7\u00f5es das commodities em geral em patamares mais baixos esfriaram os \u00e2nimos no campo brasileiro. O claro otimismo dos \u00faltimos anos deu lugar \u00e0 cautela, e os investimentos tendem a ser mais comedidos e focados em frentes capazes de conferir maior seguran\u00e7a \u00e0s atividades.<\/p>\n<p>Essas s\u00e3o algumas das conclus\u00f5es que podem ser extra\u00eddas das informa\u00e7\u00f5es coletadas por uma pesquisa de campo realizada entre novembro e janeiro em todo o pa\u00eds para o lan\u00e7amento, nesta segunda-feira na capital paulista, do novo \u00cdndice de Confian\u00e7a do Agroneg\u00f3cio (IC Agro) da Federa\u00e7\u00e3o das Ind\u00fastrias de S\u00e3o Paulo (Fiesp) e da Organiza\u00e7\u00e3o das Cooperativas Brasileiras (OCB).<br \/>\n&#8220;O IC AGRO ser\u00e1 uma ferramenta essencial para toda a cadeia produtiva. \u00c9 um material de refer\u00eancia e sem d\u00favida ser\u00e1 usado para auxiliar a tomada de decis\u00f5es de ind\u00fastrias, empres\u00e1rios e cooperativas&#8221;, afirma o presidente da Fiesp, Paulo Skaf. &#8220;Por outro lado, ele tamb\u00e9m poder\u00e1 ser usado pelo governo como um term\u00f4metro, j\u00e1 que permite apontar as necessidades de implementa\u00e7\u00e3o e melhoria de pol\u00edticas p\u00fablicas para o setor&#8221;, diz ele.<\/p>\n<p>Gestado por quase dois anos, patrocinado pela Associa\u00e7\u00e3o Nacional de Defesa Vegetal (Andef) e pela Associa\u00e7\u00e3o Nacional dos Fabricantes de Ve\u00edculos Automotores (Anfavea) e realizado pelo instituto de pesquisa Agroipes &#8211; um dos bra\u00e7os da Plataforma Agro, grupo cujo carro-chefe \u00e9 a consultoria Agroconsult -, o trabalho ganhou seus contornos a partir de entrevistas com mais de 1,5 mil produtores agropecu\u00e1rios (645 v\u00e1lidas) e 40 empresas de insumos.<\/p>\n<p>Com uma escala que vai do deprimido zero, passa pelo neutro 100 e termina no euf\u00f3rico 200, o primeiro IC Agro de Fiesp e OCB ficou em 104,5 pontos. Esse resultado indica um &#8220;otimismo moderado&#8221;, segundo Antonio Carlos Costa, gerente do Departamento do Agroneg\u00f3cio (Deagro) da Fiesp, sustentado pelas ind\u00fastrias de insumos, que viram as vendas de fertilizantes, defensivos e m\u00e1quinas baterem recorde no ano passado.<\/p>\n<p>Essas empresas n\u00e3o est\u00e3o confiantes na economia do pa\u00eds como um todo &#8211; o resultado m\u00e9dio das respostas nesta frente foi de 84,9 pontos -, mas confiam no setor de agroneg\u00f3cios (123,5). As companhias e grupos que atuam &#8220;antes da porteira&#8221; est\u00e3o mais otimistas (109,8) que as ind\u00fastrias cujo foco est\u00e1 depois dela (109,3), tamb\u00e9m influenciadas pela tend\u00eancia de queda dos pre\u00e7os em alguns segmentos. O trabalho real\u00e7a que as cooperativas atuam antes e depois da porteira.<\/p>\n<p>J\u00e1 os produtores agropecu\u00e1rios est\u00e3o ressabiados. O \u00edndice de confian\u00e7a m\u00e9dio da categoria ficou em 97,5 pontos, abaixo do ponto neutro, e foi pressionado pelos pecuaristas (96,9) &#8211; entre os agricultores, o resultado ficou em 97,6 pontos. Em geral, os produtores est\u00e3o pessimistas quanto a seus custos (61,6 pontos) e sobre a economia brasileira (84,9), mas tamb\u00e9m confiam no setor (105,1) e veem com bons olhos suas produtividades (105,1).<\/p>\n<p>Na agricultura, mostra a pesquisa, os mais preocupados s\u00e3o os produtores de caf\u00e9, cana e laranja, em contraste com os de soja e algod\u00e3o. Andr\u00e9 Pess\u00f4a, s\u00f3cio-diretor da Agroconsult, pondera, contudo, que esses resultados poder\u00e3o mudar quando o \u00edndice for atualizado &#8211; o trabalho, que estar\u00e1 dispon\u00edvel no site da Fiesp, ser\u00e1 feito trimestralmente -, j\u00e1 que a pesquisa foi feita antes do recrudescimento da seca em regi\u00f5es do Centro-Sul do pa\u00eds.<\/p>\n<p>Por causa da seca, lavouras de caf\u00e9, cana e laranja foram prejudicadas e as pr\u00f3ximas colheitas ser\u00e3o menores que as inicialmente esperadas. No mercado de caf\u00e9, por exemplo, os pre\u00e7os deixaram os baixos n\u00edveis de 2013 para tr\u00e1s e j\u00e1 subiram mais 50% neste ano na bolsa de Nova York.<\/p>\n<p>Em contrapartida, durante a pesquisa os sojicultores ainda trabalhavam com a perspectiva de pre\u00e7os internacionais mais firmes ao longo do ano do que sugerem as atuais proje\u00e7\u00f5es, sobretudo ap\u00f3s a confirma\u00e7\u00e3o, pelo Departamento de Agricultura dos Estados Unidos (USDA), do aumento da \u00e1rea de plantio no pa\u00eds na safra (2014\/15). Depois dela, divulgada na semana passada, o pr\u00f3prio USDA passou a estimar pre\u00e7os da soja quase 30% inferiores aos atuais no mercado internacional.<\/p>\n<p>Entre os tr\u00eas maiores problemas para os neg\u00f3cios revelados pelos produtores agropecu\u00e1rios, o clima foi citado por 46,8% dos entrevistados. Em seguida aparecem o pre\u00e7o de venda dos produtos (38,8%), o aumento dos custos de produ\u00e7\u00e3o (33,8%), a alta incid\u00eancia de pragas e doen\u00e7as (31,9%) e a falta de trabalhadores qualificados (25,6%), a legisla\u00e7\u00e3o ambiental (23,9%), a infraestrutura log\u00edstica (21,2%) e a legisla\u00e7\u00e3o trabalhista (21,1%).<\/p>\n<p>Exce\u00e7\u00e3o feita ao clima, s\u00e3o fatores que, em geral, podem ser administrados pelos produtores ou impress\u00f5es que servem como subs\u00eddio para pol\u00edticas p\u00fablicas. &#8220;Informa\u00e7\u00f5es como essas s\u00e3o insumos importantes para a defini\u00e7\u00e3o das pol\u00edticas comerciais e de investimentos das cooperativas&#8221;, refor\u00e7a Renato Nobile, superintendente da OCB.<\/p>\n<p>Nessa seara, o novo \u00edndice de confian\u00e7a carrega como subproduto um &#8220;painel de investimentos&#8221; que refor\u00e7a e ajuda a entender seus resultados. Ele mostra que 52,7% dos agricultores entrevistados pretendem ampliar os aportes em custeio, com foco em controle fitossanit\u00e1rio, sementes e m\u00e3o de obra. Aponta que 35,2% deles investir\u00e3o mais em m\u00e1quinas e equipamentos, especialmente tratores, e que 35% planejam elevar gastos em infraestrutura, principalmente armazenagem.<br \/>\nNo caso dos pecuaristas, 60,6% dos entrevistados tamb\u00e9m disseram que v\u00e3o investir mais. O foco dos aportes estar\u00e1 concentrado em refor\u00e7a das pastagens (56,7%), recupera\u00e7\u00e3o de pastagens (36,7%), manejo rotacionado do pasto (30%) e cercas, cochos e bebedouros (28,3%).<\/p>\n<p>Tais focos est\u00e3o em linha com o perfil dos produtores agropecu\u00e1rios que fizeram parte da pesquisa. O Agroipes procurou, em entrevistas pessoais ou por telefone, aqueles inseridos em dez das mais competitivas cadeias produtivas do agroneg\u00f3cio &#8211; soja, milho, trigo, arroz, cana, caf\u00e9, laranja, algod\u00e3o, gado de corte e gado leiteiro) -, em 16 Estados. O n\u00famero de amostras foi definido de acordo com as participa\u00e7\u00f5es no Valor Bruto da Produ\u00e7\u00e3o (VBP).<\/p>\n<p>Do total, 40,9% s\u00e3o de m\u00e9dio porte, defini\u00e7\u00e3o que pode mudar conforme a regi\u00e3o de atua\u00e7\u00e3o. No Paran\u00e1, por exemplo, um produtor de m\u00e9dio porte tem entre 101 e 500 hectares; em Mato Grosso, essa \u00e1rea sobe para entre 1.001 e 5 mil hectares. Benedito da Silva Ferreira, diretor titular do Departamento do Agroneg\u00f3cio da Fiesp, real\u00e7a, finalmente, o alto n\u00edvel de profissionaliza\u00e7\u00e3o dos produtores consultados.<\/p>\n<p>Conforme a pesquisa, 37,1% deles t\u00eam superior completo e 6,2% conclu\u00edram um curso de p\u00f3s-gradua\u00e7\u00e3o. Na agricultura, 60,4% dos produtores entrevistados disseram que sua fam\u00edlia est\u00e1 h\u00e1 mais de 30 anos na atividade, ante 34,3% na pecu\u00e1ria &#8211; o que confirma, segundo os autores do trabalho, que a pecu\u00e1ria muitas vezes \u00e9 a &#8220;porta de entrada&#8221; para o setor de agroneg\u00f3cios. Dos que t\u00eam ensino superior, 45,7% s\u00e3o formados em ci\u00eancias agr\u00e1rias (agronomia, veterin\u00e1ria ou zootecnia).<\/p>\n<p>Na agricultura, 72,2% dos produtores afirmaram que a atividade representa mais de 90% de suas rendas totais, ante 35,4% na pecu\u00e1ria. E 75,8% do total, paradoxalmente, afirmaram que n\u00e3o gostam de correr riscos, ainda que correr riscos esteja no DNA da agropecu\u00e1ria.<br \/>\n(Valor)<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>As incertezas que ainda travam a economia global e a tend\u00eancia de acomoda\u00e7\u00e3o das cota\u00e7\u00f5es das commodities em geral em patamares mais baixos esfriaram os \u00e2nimos no campo brasileiro. 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