Consumo de etanol dobrará até 2022 e investimento para atender demanda é da ordem de R$ 50 bi, aponta Caldas

Coordenador Geral de Açúcar e Etanol do MAPA expôs a empresários, perspectivas para a cadeia produtiva da cana, em palestra promovida pelo CEISE Br, na última quinta-feira, 24, em Sertãozinho (SP)

palestra-cid-caldasEmpresários do setor sucroenergético acompanharam a palestra “Perspectivas do Setor Sucroenergético na Visão Governamental e Acadêmica”, ministrada pelo Coordenador Geral de Açúcar e Etanol do MAPA (Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento), Cid Jorge Caldas, juntamente com o professor Octavio Antonio Valsechi (UFSCar), na noite da última quinta-feira, 24, em Sertãozinho (SP).

Caldas exibiu e comentou os programas de créditos que o governo disponibilizou nos últimos três anos para o desenvolvimento do setor e o levantamento da EPE (Empresa de Pesquisa Energética) sobre o aumento do consumo de etanol e os meios para viabilizar esse abastecimento até o ano de 2022.

“A previsão de consumo é da ordem de 54,5 bilhões de litros, o dobro do registrado em 2013, que foi de 27,3 bilhões. Para atender essa demanda, além da ampliação da oferta de cana – de pouco mais de 600 milhões para 1 bilhão de toneladas, seria necessário construir mais 28 usinas mistas e 11 destilarias, somando um investimento de R$ 50 bilhões”, mencionou.

Ainda segundo o coordenador, em 2015, a “luz” da bioeletricidade deverá se acender para o governo federal, referindo-se aos riscos de uma crise no abastecimento de energia elétrica, hoje derivada principalmente das águas e da eólica. “o governo precisa mudar essa ideia de energia e investir em uma matriz mais complexa, mista. A cogeração a partir do bagaço da cana é uma fonte riquíssima”, comentou.

De acordo com Caldas, a atual crise do setor sucroenergético é um reflexo da crise econômica iniciada em 2009 e de outras duas de origem climática, além de uma terceira agora. “A indústria não teve fôlego para se recuperar. Mas, é na crise que se encontram as oportunidades, e o atual cenário aponta a valorização do etanol”, disse se referindo também ao peso que a comercialização da gasolina tem gerado na balança comercial do país. “Não tem outra saída; o etanol é a saída e o governo sabe disso”, acrescentou.

Com um conhecimento mais técnico e não menos importante, o professor e coordenador do MTA em Gestão de Tecnologia Industrial Sucroenergética da UFSCAR, Octavio Antonio Valsechi, destacou em sua apresentação a necessidade de investimentos também em pesquisas para o aumento da produção e da produtividade da cana-de-açúcar. “Com o passar dos anos, a matéria-prima da fabricação sucroenergética mudou muito, impactando nos custos de produção”, ressaltou.

Valsechi ainda pontuou alternativas complementares para esse maior desempenho da produção, como a adubação com polímeros que influencia no crescimento da cana. “A secagem do bagaço, e a adaptação de caldeiras são algumas das medidas que podem ser exploradas, quanto à energia gerada e consumida durante os processos industriais”, destacou ele.

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