O setor sucroalcooleiro está cada vez mais concentrado nas mãos de multinacionais, que devem controlar 90% do mercado até a safra 2015/2016.
Por outro lado, as empresas familiares que até 2012 representavam 25% do market share — perdem cada vez mais espaço, caminhando progressivamente para a extinção. “Cerca de 98% dos pequenos grupos familiares estão estrangulados pelo alto nível de endividamento e pela reduzida capacidade de contrair crédito, que prejudicam suas possibilidades de investimento”, afirma Maurício Muruci, analista da consultoria Safras & Mercados. De acordo com o especialista, as empresas do setor vivem esse dilema de boas perspectivas no longo prazo, mas um retrato contraditório no curto prazo, já que aporta de saída da crise depende da diversificação nos negócios e dos investimentos em novas tecnologias e inovação que demandam capital intensivo.
De fato, os grandes investimentos que vêm sendo realizados na diversificação de negócios no setor sucroalcooleiro foram empreendidos pelos grupos mais capitalizados. A produção de etanol de segunda geração, a partir do bagaço e palha da cana-de-açúcar, vem sendo desenvolvido por empresas como a Raízen (fruto de uma parceria entrea Shell e a Cosan) e pela GranBio (que conta com participação societária de 85% da família Gradin e mais 15% do BNDESPar). “Gigantes como Louis Dreyfuss,Cargill e Bunge também estão investindo nessa área, com tecnologias desenvolvidas nos EUA e Europa”, frisa Muruci. Mas a geração de energia por biomassa se tornou um excelente filão desde o ano passado. Por causa da seca e da consequente queda de capacidade de geração de energia das hidrelétricas, a cogeração de energia por biomassa de cana-deaçúcar ganhou força graças aos preços atrativos para as empresas do setor. O preço da energia no mercado livre atingiu R$ 822,83 por megawatt-hora (MWh), teto estabelecido pela Aneel.
Copacesp Cooperativa dos Produtores de Cana, Aguardente, Açucar e Álcool do estado de São Paulo