Qual é tamanho o mercado de cachaça no Brasil? Ninguém sabe. Há apenas estimativas de produção. Seria algo em torno de 100 milhões caixas de nove litros por ano. Para parâmetro de grandeza, a vodca, sobre a qual se tem a impressão de alto consumo entre os jovens, vende seis milhões de caixas de nove litros por ano. O uísque? Cinco milhões. Ou seja, a liderança de bebidas destiladas na terra brasilis é da cachaça e não tem pra mais ninguém. Então, se o volume é sucesso, qual seria o grande problema para a expansão desse negócio? Valorização. Criar qualidade reconhecida interna e externamente. Sofisticar o consumo. Vestir a cachaça para a festa.
Há muita pinga de fundo de quintal feita sem qualquer padrão de higiene ou controle de processos, o que compromete não só a conquista do consumidor mais exigente, como baixa significativamente a lucratividade das empresas que atuam no segmento. Nunca houve empenho em organizar o segmento, que se desenvolveu de forma pulverizada Brasil afora e expandiu por meio de vendas em grandes quantidades a baixo preço. Isso, pelo menos até agora. A Diageo, um dos maiores fabricantes de bebidas destiladas do mundo, comprou, há quase dois anos, a destilaria de aguardente de cana cearenseYpióca, e está aplicando as mesmas táticas de marketing usadas há décadas pela companhia para alçar à liderança global marcas de seu portfólio como as do uísqueJohnnie Walker e da vodca Smirnoff.
Não será uma tarefa fácil e nem rápida. Cinco anos, no mínimo, e a projeção do diretor de marketing e vendas da Diageo para Ypióca, Eduardo Bendzius para começar a mudar esse atual cenário. Ele garante que a companhia já investe dez vezes mais em marketing do que a Ypióca gastava antes de ser adquirida. E, vejam, era um das marcas centenárias do setor que sempre teve preocupação com qualidade, distribuição e imagem.
Bendzius sabe que será um duro desafio superar as resistências de um mercado acomodado com a venda de volume. Há que romper com anos de baixo investimento em qualificação da bebida, combater a ampla e desorganizada rede de pequenos produtores em garrafas de plástico comercializadas a R$ 2,00 na beira de estradas, assim impor práticas que valorizam a bebida aos olhos do mercado. A proposta tem sido a de incentivar a cultura de que “branquinha” da preferência nacional está mais do que habilitada a disputar espaço nas melhores mesas do mundo. Em especial, após a longa batalha no âmbito das organizações de comércio para que o destilado de cana seja reconhecido como uma bebida alcoólica tipicamente brasileira. Nos EUA, agora é. E lá está o maior mercado de destilados do mundo.
A Diageo viu potencial nesse mercado e já tinha a marca criada em Nova Friburgo (Rio), a Nêga Fulô. Mas só agora põe dinheiro no processo de construção de imagem para além dos guetos das cachaças artesanais produzidas por apaixonados pela bebida, com padrões elevados de qualidade, mas em pequenas quantidades e sem capital para fazer esse mercado crescer.
Na atual investida para projetar a Ypióca, a companhia convidou profissionais de peso da coquetelaria brasileira para criarem drinks com a Ypióca, assim como oferecer a bebida nos bares e restaurantes em que trabalham até o final mês de julho. Dessa forma aproveitam a onda da Copa do Mundo para também divulgar para os gringos a cachaça. Por isso mesmo, nomearam a ação de Craques da Cachaça. Vão distribuir material e fazer divulgação da iniciativa. Na base,a proposta de tornar a cachaça uma opção natural para drink elaborados. Uma espécie de Dry Martini dos trópicos. O Dry foi popularizado pelo agente 007 nas telas do cinema e tornou o Martini a bebida mais consumida na Itália, seu País de origem.
Onze bartenders (os da foto acima) desenvolveram um drink com cachaça: Aharon Rosa (Esquina Mocotó), Kennedy Nascimento (Epice), Marcelo Serrano (Brasserie Des Arts), Derivan Ferreira (Número), Rafael Mariachi (Anexo São Bento), Laercio Zulu (La Maison Est Tombée), Fabio La Pietra (Sub Astor), Kascão (Boteco Ferraz), Alexandre D´Agostino (SPOT), Leandro Batista (Barnabé) e Jean Ponce (DOM).
Os drinks foram batizados por seus autores como: Jeripitaia, Marinha Cocktail, Brasileirinha, Brasilizar, Cajurita, Sour da Terrinha, Xinga na Pinga, Camisa 10, Ponche Ypióca, Flor de Mandacaru e Cachaça Caramelizada. Vai um gole?
Copacesp Cooperativa dos Produtores de Cana, Aguardente, Açucar e Álcool do estado de São Paulo